As coisas em Rio Claro correram melhor do que o esperado.
Matheus e Otávio terminaram a última rodada de negociações na manhã de domingo. Almoçaram algo rápido ao meio-dia e, à uma e meia da tarde, embarcaram no trem-bala de volta a Porto Real.
A viagem de trem foi tranquila. Matheus se encostou no banco, lendo os documentos de cabeça baixa o caminho todo.
As situações de mercado do Distrito Universitário de Rio Claro, do Distrito Comercial Costa Leste e da Rua Gastronômica do Centro Histórico já haviam sido compreendidas preliminarmente.
Havia uma pequena equipe local de entregas por lá. Não era grande, mas o responsável conhecia bem os comerciantes locais. Se conseguissem fechar um acordo, a velocidade de entrada da Swift Express em Rio Claro seria adiantada em pelo menos dois meses.
Após retornar a Porto Real, ele não foi direto para casa, mas sim para a empresa.
Em três dias de viagem de negócios, muita coisa acumulou na empresa.
A nova versão do aplicativo dos entregadores, feita pela equipe técnica, ainda tinha dois bugs, o atendimento ao cliente reuniu algumas disputas de pagamento com comerciantes, e os documentos de Rio Claro que Otávio trouxe precisavam ser organizados e arquivados.
Matheus resolveu tudo no escritório até mais de quatro da tarde, finalmente terminando as questões mais urgentes.
Ele fechou o notebook e pegou o paletó pendurado no encosto da cadeira.
Otávio, que estava entrando na sala, o viu pegar as chaves e riu: — Matheus, já vai?
— Sim.
— Achei que você fosse fazer hora extra na empresa hoje à noite.
Matheus olhou para ele, com um tom neutro: — Vou para casa.
Ao ouvir isso, Otávio fez uma expressão de quem entendia tudo: — Tá certo, vai lá ver a cunhada. Vocês não se veem há três dias, tem que voltar cedo mesmo.
Matheus ignorou a brincadeira dele, virou-se e saiu.
...
No final da tarde, as sombras das árvores no Residencial Magnólias estavam compridas por causa do pôr do sol.
— Quer alguma coisa?
O tom dele foi neutro, sem nenhuma intenção de trocar gentilezas.
Lívia ficou sem jeito com aquelas palavras, mas rapidamente ajustou sua expressão, fingindo estar constrangida, mas bem-intencionada.
— Na verdade... eu nem queria falar muito. — Ela mordeu o lábio, abaixando a voz. — Mas acho você tão boa pessoa, que se eu não te contasse, pareceria errado.
Matheus olhou para ela sem dizer nada.
Lívia achou que ele estava ouvindo e sentiu-se um pouco mais confiante, continuando: — Nesses dias que você não estava em casa, Helena saiu de carro todos os dias. Hoje a vi voltando com muitas sacolas de compras, ela comprou bastante coisa. Na mão dela tinha uma bolsa bem cara, parecia ser de marca de luxo... Não estou dizendo que mulheres não podem comprar coisas, só acho que...
Ela fez uma pausa e olhou cuidadosamente para Matheus: — Você viaja e trabalha tão duro, não é fácil ganhar dinheiro, e ela fica sozinha em casa saindo para fazer compras e gastar dinheiro todos os dias. Isso não é um pouco ruim?
O olhar de Matheus foi esfriando.
No entanto, Lívia parecia não perceber, ainda se esforçando para parecer mais prestativa: — Além disso, ontem eu apenas perguntei com carinho para onde você tinha viajado, e ela foi super agressiva dizendo para eu não me meter nos assuntos da família de vocês. Eu fiquei muito magoada. Só acho que ela parece não saber te valorizar.

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