Quanto mais ela falava, mais fluente ficava. A inveja e o ressentimento acumulados por vários dias foram todos disfarçados como indignação por causa de Matheus.
— Matheus, você tem condições tão boas, é tão capaz, não há necessidade de ser controlado por uma mulher que só sabe gastar dinheiro. Ela é jovem e bonita agora, por isso você a mima, mas viver a vida a dois não se trata apenas de aparência. Se uma mulher não sabe nem cuidar do seu homem e só quer gastar o dinheiro dele, então ela não é apenas...
— Chega.
Matheus a interrompeu.
Sua voz não era alta, mas era fria.
Lívia tomou um susto, e as palavras ficaram presas na garganta.
Matheus olhou para ela. Não havia nenhuma temperatura naqueles olhos escuros.
— A bolsa fui eu que comprei.
Lívia ficou estupefata.
Matheus continuou: — O carro fui eu que comprei. O dinheiro que ela gasta nas compras também sou eu que dou.
Cada frase foi dita com muita calma. Mas cada palavra doeu como um tapa no rosto de Lívia.
A cor de seu rosto desvaneceu.
— Eu... não quis dizer isso. — Ela se apressou a explicar. — Só fiquei com medo de você ser enganado por ela. Hoje em dia, tem garotas que se aproveitam de serem bonitas e adoram gastar o dinheiro dos homens...
O olhar de Matheus ficou ainda mais frio.
— Ela é minha esposa. — Ele disse. — Eu ganho dinheiro para ela gastar, isso é o certo.
Lívia ficou completamente sem palavras.
Ela achava que um homem como Matheus certamente não gostaria que a esposa gastasse dinheiro indiscriminadamente. Achou que ele estava apenas enfeitiçado pelo rosto bonito de Helena e que, se alguém o avisasse, ele pelo menos ficaria um pouco insatisfeito com Helena.
Mas não esperava que ele a defendesse com tanta convicção.
— E mais. — Matheus olhou para ela, ainda com a voz fria. — Nós não somos íntimos.
Lívia ficou parada, olhando para as costas largas dele, com os olhos muito vermelhos.
Ela se sentiu tão injustiçada que quase começou a chorar.
E ela só queria o bem dele.
Como uma mulher como Helena poderia ser digna dele?
Ele era jovem e promissor, com certeza teria ainda mais dinheiro no futuro. Um homem assim merecia ter uma mulher que se importasse com ele, que o amasse e que tivesse alguma formação acadêmica. Não precisava ser uma formação tão alta, mas pelo menos ter um diploma de bacharel, como o dela, em vez de alguém como Helena, que claramente parecia ter saído de uma universidade de quinta categoria.
Ela só havia avisado algumas coisas, e ele a tratou daquela forma.
O corredor estava vazio. O pôr do sol entrava pela janela no final do corredor, iluminando os cabelos que ela havia enrolado cuidadosamente e seus dedos levemente trêmulos.
Lívia mordeu o lábio, segurando as lágrimas com força.
Mas as lágrimas acabaram caindo.

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