Ele demorava a se entregar, e, nos momentos de maior intensidade, fazia‑a dizer coisas que, pela sua personalidade reservada, ela nunca falaria no dia a dia, nem de brincadeira.
Helena se entregou tanto que as lágrimas rolaram pelo rosto. No fim, só conseguia suplicar que ele tivesse um pouco mais de calma, chamandoo de todos os jeitos que conseguia pensar.
O som de água veio do banheiro.
Não muito depois, Matheus saiu do banheiro, usando apenas uma toalha frouxa enrolada na cintura e segurando uma toalhinha morna nas mãos.
Ele sentou-se na beira da cama, puxou as cobertas e limpou o corpo dela com cuidado.
Helena abriu o olho sonolenta e fitou o perfil concentrado do homem, soltando uma reclamação baixinha: — ...Animal.
As mãos de Matheus não pararam, ele continuou a cuidar de sua linda esposa com atenção.
— Não foi isso que você falou agora há pouco quando me chamou de Marido. — Ele disse em voz baixa.
Helena ficou vermelha e virou o rosto, envergonhada, recusando-se a falar com ele.
Depois de secá-la, Matheus jogou a toalha de lado, entrou na cama e a puxou com as cobertas para dentro de seu abraço, estendendo seus braços longos.
O peito firme e familiar se encostou nela, acompanhado pelo aroma limpo de sabonete líquido. Como um gatinho em busca de calor, Helena se encolheu em seus braços por instinto, encontrando a posição mais confortável.
O sono caiu sobre ela como uma onda, e suas pálpebras já estavam pesadas.
Mas logo no segundo antes de dormir, um pensamento cruzou sua mente.
Ela tinha algo importante para falar com ele naquela noite!
Helena segurou o último pingo de consciência, abriu os olhos com esforço e enfiou um dedo no peitoral firme dele.
— Marido... — A voz dela soou mole, cheia de sono.
— Hum? — A mão grande de Matheus bateu gentilmente em suas costas, como se quisesse fazê-la dormir.
— Tem uma coisa... que eu preciso conversar com você.
— Deixa para amanhã, durma.
Helena juntou forças e contou brevemente sobre seu encontro com Adriana naquela manhã, assim como o plano de negócios que as duas haviam combinado.
Ela levantou a cabeça para olhar nos olhos de Matheus, com um tom muito sério: — Esse dinheiro é um empréstimo. Assim que a loja der lucro, eu reponho na conta com juros.
Ao ouvir isso, Matheus ficou em silêncio por alguns segundos.
— Não vou emprestar. — Matheus respondeu de repente.
Helena ficou perplexa.
Ela tinha pensado que, com a renda atual de Matheus e o fato de ele a mimar tanto, o pedido de sessenta mil reais seria aceito sem pestanejar.
— Por quê? — Ela começou a ficar ansiosa e o sono sumiu em grande parte. — Acha que o projeto não é bom? Ou acha que não vou conseguir dar conta? Posso até escrever uma nota promissória para você...
Ele estendeu a mão, puxando-a de volta para o peito dele.
— O dinheiro da conta da família é seu. — A mão grande de Matheus acariciou suas costas. — Quer usar para fazer negócios, então use. Se perder, é por minha conta, se ganhar, é seu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor