Durante as férias de verão, o clima em Porto Real estava muito quente.
Assim que o sol aparecia, o asfalto parecia derreter, e até as roseiras no pátio do condomínio ficavam murchas. Apenas as hortênsias ainda sustentavam seus aglomerados de flores azul-arroxeadas, lutando para manter a beleza.
Naquela manhã, Isadora ligou para Helena.
O tom de voz carregava uma alegria incontrolável.
— Helena, avisaram do Residencial Enseada de Jade que a entrega das chaves será em agosto, meia quinzena antes do que haviam falado.
Ao ouvir isso, Helena também ficou feliz por ela: — Sério? Isso é ótimo! Vocês não estavam esperando por essa casa há muito tempo?
— Sim. — Isadora riu do outro lado da linha. — O Gabriel e eu fomos lá dar uma olhada há uns dois dias. A fachada já está pronta e o paisagismo do condomínio também está quase finalizado. Embora a gente ainda não possa entrar no prédio oficialmente, o estande de vendas disse que semana que vem vão organizar uma visita antecipada para os proprietários.
Ela fez uma pausa e disse com um pouco de vergonha: — O Gabriel e eu conversamos e queríamos convidar você e o Matheus para irem junto. Você tem bom gosto e arrumou a sua casa de um jeito tão bonito. Quando formos decorar mais tarde, eu também quero que você me ajude com algumas ideias.
Helena sorriu: — Claro que sim. Só não vá reclamar que eu falo demais depois.
— Eu é que quero que você fale bastante. — disse Isadora. — Eu realmente não tenho noção nenhuma de decoração. Antes, eu arrumava a casa do jeito mais prático possível e acabava ficando cada vez mais bagunçada. Agora que finalmente temos nossa própria casa, eu também quero deixá-la bem arrumada.
— Tudo bem, quando vocês vão?
— Sábado de manhã. Depois de ver a casa, vamos convidar vocês para almoçar ao meio-dia.
— Combinado, vou avisar o Matheus.
Após desligar o telefone, Helena estava de muito bom humor.
...
No sábado de manhã, Matheus dirigiu e levou Helena ao Residencial Enseada de Jade.
Os funcionários do estande de vendas os conduziram para dentro do condomínio.
O paisagismo do Residencial Enseada de Jade era melhor do que o esperado e a distância entre os prédios era ampla. No centro havia um sistema de água paisagístico não muito grande, ladeado por canforeiras e ginkgos. As árvores ainda não estavam muito altas, mas já dava para ter uma ideia de como ficariam mais tarde.
— Esse condomínio é bom. — disse Helena enquanto andava e observava. — A iluminação natural deve ser ótima.
Isadora assentiu imediatamente: — Quando compramos, foi a distância entre os prédios que nos atraiu. Na casa antiga em que morávamos, a sala ficava tão escura à tarde que precisávamos acender a luz.
Eles compraram no prédio nove, décimo quinto andar.
O elevador ainda não estava totalmente liberado, então a equipe usou um cartão provisório para levá-los até lá.
Assim que a porta se abriu, havia um pequeno hall de entrada que se integrava à sala de estar e jantar. A varanda ampla era voltada para o sul, e a planta quadrada tinha três quartos, duas salas e dois banheiros.
O apartamento ainda estava no osso; chão de cimento, paredes cinzentas, e o ar tinha o cheiro característico de cimento de um apartamento novo.

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