Mas assim que Isadora entrou, seus olhos brilharam.
— Esta é a nossa casa.
Helena ficou no centro da sala e olhou ao redor.
— Isadora, a planta aqui é ótima. — ela disse. — Se você integrar a sala e a varanda, vai parecer ainda maior. De um lado da varanda dá para fazer a área de serviço, e do outro você pode reservar espaço para suas plantas. Aqui na entrada dá para fazer um armário de sapatos em toda a parede, deixando a parte de baixo livre para os sapatos que usam mais, e o meio com uma bancada para deixar chaves e bolsas.
Isadora sorriu e disse: — Se você não falasse, eu não teria pensado nisso de jeito nenhum. Mas agora que você disse, é exatamente o que eu quero.
Helena foi para o quarto principal, o de hóspedes e o das crianças. Enquanto olhava, ia compartilhando suas ideias com Isadora.
Gabriel ficou ao lado observando as duas mulheres discutirem seriamente sobre hall de entrada, armários e cores de cortinas, e não pôde deixar de soltar um sorriso.
...
Depois de verem a casa, todos foram juntos a um restaurante de culinária caseira nas proximidades.
Gabriel havia reservado uma sala particular com antecedência.
O restaurante não era grande, mas o sabor era ótimo, e a especialidade eram pratos locais.
Pediram Robalo ao Vapor, frango com óleo de cebolinha, enguias salteadas, sopa de bambu e carne de porco agridoce, que Leo adorava.
O clima na mesa de jantar era muito relaxado.
Leo sentou-se na cadeira de criança, segurando uma pequena tigela de arroz e se sujando todo enquanto comia. Isadora limpava a boca dele enquanto ouvia Helena continuar falando sobre cortinas e luminárias.
Os dois homens começaram a conversar sobre outras coisas.
Gabriel serviu uma xícara de chá para Matheus e abaixou a voz para dizer: — Há dois dias, jantei com o Delegado Wagner. Falei sobre a sua empresa e ele demonstrou muito interesse.
Matheus levantou os olhos: — Comissário Wagner?
Crescendo na Família Rezende, ela conhecia perfeitamente as coisas que não apareciam na superfície do mundo dos negócios. Os negócios de materiais de construção de Alberto Rezende não funcionariam sem vários procedimentos, aprovações, rede de contatos e conexões. Era só que agora ela não achava mais isso algo garantido como antigamente.
Ela sabia que Gabriel considerava Matheus um amigo e, por isso, estava disposto a fazer essa ponte.
Esse favor não se pagava com algumas caixas de presente.
No futuro, manter um bom convívio entre as duas famílias seria a forma mais confortável de agir.
Gabriel conversou mais algumas palavras com Matheus, com um tom de alerta: — Agora que você conseguiu investimento, a movimentação vai ficar cada vez maior. É justamente nesses momentos que você não deve ter pressa demais, nem economizar em questões de conformidade.
— Sim. — Matheus respondeu. — Isso não vai mudar.
Gabriel olhou para ele e sorriu: — Eu confio em você como num irmão.
Os dois brindaram, substituindo o vinho por chá.

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