Fabiana ficou parada na sala de estar, realmente maravilhada.
Não era como se ela nunca tivesse visto casas boas.
No ensino médio, Fabiana estudou em uma escola de ponta, muitos colegas tinham boas condições financeiras e frequentemente via pessoas postando fotos de apartamentos enormes, salas de mansões e janelas do chão ao teto nas redes sociais.
Mas aquelas casas pareciam distantes dela, parecendo a vida de adultos de outras famílias.
Aqui com a Helena era diferente.
Fabiana deu uma volta pela sala, o olhar varrendo do sofá para a estante e da estante para a porta de vidro que levava ao pátio.
— Helena. — Ela sentou no sofá, não conseguindo evitar o suspiro. — Essa sua casa é muito confortável.
Helena foi até a cozinha servir dois copos de água e entregou um para ela: — É razoável, é só alugada.
— Alugada também é muito boa. — Fabiana pegou o copo de água e olhou em volta novamente. — Quanto você paga de aluguel por mês?
— Quatro mil e quinhentos.
Fabiana engasgou: — Tão caro?
— É no térreo, tem um pátio e a localização é boa. — Helena sentou ao lado dela. — No começo eu também achei caro, mas depois que me mudei achei que valeu a pena.
— Que inveja de você ter um espaço pessoal tão grande. — Fabiana segurou o copo de água, com um tom de desejo. — Olha só pra você agora, pode arrumar do jeito que quiser, cultivar as flores que quiser e dormir a hora que quiser. Quanta liberdade.
Ela fez uma pausa e suspirou: — Depois de me formar, vou voltar a morar em casa. Meus pais já arrumaram meu quarto de novo e disseram que estão esperando eu voltar.
— E quando eu estou na escola, eu moro com colegas de quarto. Embora nosso relacionamento seja bom, o dormitório não é o meu próprio espaço. Se você quiser ficar quieta, sempre tem alguém entrando e saindo. Se você quiser ler um livro, escrever alguma coisa, sempre tem alguém conversando do lado.
Fabiana segurou o copo de água, a voz um pouco mais comovida: — Eu ainda não aproveitei a sensação de... ter uma vida independente, totalmente minha.
Ela olhou para Helena, com um pouco de inveja nos olhos: — Helena, você agora é uma adulta independente de verdade. Tem a sua própria casa, a sua própria carreira e pode fazer o que quiser. Essa sensação é muito boa.
Helena ouviu e ficou um pouco tocada.
Ela se lembrou de quando saiu da Família Rezende.
Naquela época, ela morava no pequeno apartamento alugado no Residencial Bela Vista, sem nada, hesitando muito até para comprar uma roupa barata.
— Você também vai ter. — Helena disse suavemente. — Quando o seu trabalho estiver estável e você juntar algum dinheiro, também pode se mudar e morar sozinha.

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