À noite, quando Matheus voltou, a luz principal da casa já estava apagada.
Havia apenas uma luminária de cabeceira acesa no hall de entrada, lançando uma luz amarelada pelo chão.
Lá fora, o vento soprava fraco, e a porta de vidro refletia a sombra de alguns galhos.
Matheus tirou os sapatos bem devagar.
Ele entrou na sala, olhou para a manta de tricô dobrada no sofá e depois para a marmita térmica em cima da mesa de jantar.
Helena tinha guardado comida para ele. Dentro da marmita havia uma deliciosa sopa de carne com inhame. O recipiente vedava bem, então a sopa ainda estava quentinha. Depois de comer, ele virou-se e foi para o banheiro.
No quarto principal, Helena não estava num sono muito profundo.
Nesses últimos tempos, ela já tinha se acostumado com os retornos tardios de Matheus e, antes de dormir, acabava esperando inconscientemente pelo som da chave na porta.
Ao ouvir o barulho sutil do lado de fora, ela abriu os olhos ainda sonolenta, pegou o celular no criado-mudo e olhou.
Meia-noite em ponto.
Ela encarou o horário na tela e perdeu um pouco o sono, tarde de novo.
O som de água veio do banheiro. Helena rolou na cama, abraçou o cobertor e, ouvindo o barulho do chuveiro, perdeu o sono de vez.
Quinze minutos depois, a porta do banheiro se abriu.
Matheus entrou no quarto exalando o vapor fresco do banho.
Ele não acendeu a luz principal; guiado apenas pela claridade fraca do criado-mudo, puxou as cobertas e deitou-se.
Assim que ele se deitou, Helena virou-se para ele.
— Acordou? — a voz de Matheus soou muito baixa.
Helena não respondeu.
Ela se aninhou nos braços dele, passou as mãos pelo pescoço do marido e, de repente, deu-lhe um beijo.
Matheus pausou por um instante, o beijo dela havia sido um pouco proativo esta noite.
Helena o beijou por alguns instantes, depois parou e pressionou o nariz contra o queixo dele, farejando com atenção.
Não havia cheiro de álcool, nem de cigarro e muito menos de perfume desconhecido.
Havia apenas o aroma suave de pasta de dente de hortelã e o cheiro do sabonete de seu banho recente.
Matheus baixou o olhar para ela:
— O que está cheirando?
Helena levantou os olhos para encará-lo, o sono já quase dissipado.
— Você não bebeu hoje.

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