— A quantidade de trabalho na empresa ultimamente é um dos motivos. Mas tem outra coisa em que estive pensando.
— O quê?
— Casa.
Helena ficou surpresa.
Matheus olhou para ela:
— A Dona Lúcia aumentou o aluguel hoje, não foi?
— Sim, quinhentos a mais. — disse Helena. — Já concordei em renovar. Agora são cinco mil por mês.
— Eu sei — disse Matheus. — Quinhentos não é muito, dá para aceitar.
Ele fez uma pausa, acariciando suavemente as costas dela com a mão.
— Mas não quero que você continue morando na casa dos outros para sempre.
Helena sentiu o coração apertar.
Matheus continuou:
— Tenho olhado alguns materiais de imóveis ultimamente. Pensei que, se você tiver tempo, podemos ir ver umas casas juntos.
— Ver agora? — Helena se surpreendeu. — Mas acabamos de renovar o contrato.
— Comprar, reformar e esperar o cheiro da tinta sair leva tempo. — explicou Matheus. — Se conseguirmos fechar negócio no final deste ano ou no primeiro semestre do ano que vem, e a reforma correr bem, quando o aluguel acabar no próximo ano, já poderemos nos mudar para lá.
Helena acordou de vez.
Isso realmente era um assunto importante.
Muito mais importante do que seu pequeno ciúme de agora há pouco.
Ela se ergueu um pouco, apoiada no peito dele, olhando-o seriamente:
— Mas as casas estão muito caras agora, bem mais do que nos anos anteriores.
— Sim.
Matheus claramente também sabia disso.
Os preços dos imóveis em Porto Real haviam subido drasticamente nos últimos anos. As áreas onde antes dava para conseguir bons negócios já haviam valorizado.
Muitos lançamentos estavam cada vez mais caros, e as construtoras não paravam de anunciar coisas como "Se não comprar agora, vai subir mais".
No entanto, Helena sabia muito bem que uma casa não se compra de qualquer jeito.
Se comprada certo, era um patrimônio; se errada, virava um fardo pesado.

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