Na sexta-feira à noite, Matheus chegou um pouco mais cedo do que o normal.
Helena estava na cozinha preparando o jantar; quando ouviu a chave na porta, olhou para o relógio na parede.
Sete e quarenta.
Para o Matheus dos últimos tempos, aquele horário era realmente cedo.
— Tão cedo hoje? — Helena trouxe os aspargos prontos. — Como estão as negociações da Rodada B?
— Ainda num cabo de guerra. — Matheus trocou os sapatos, entrou na cozinha e pegou um aspargo do prato, colocando-o na boca. — Mas está quase.
Helena deu um tapa na mão dele: — Vai lavar a mão primeiro, não rouba comida.
Matheus sorriu, foi até o banheiro, lavou as mãos, trocou de roupa e se sentou à mesa.
Helena trouxe a sopa e o último prato, e os dois começaram a comer.
Na metade da refeição, Matheus falou de repente.
— Pedi para o Otávio checar as últimas vendas no Condomínio Aurora Lake.
Helena o encarou na mesma hora.
Matheus abaixou os pauzinhos, pegou o celular, abriu uma planilha e empurrou na direção dela.
— Estes são os dados de vendas dos últimos seis meses que o Otávio conseguiu com uma imobiliária.
Helena se aproximou para olhar.
A planilha era bem detalhada.
Data de venda, número do bloco, área, andares, preço final e valor por metro quadrado — tudo listado com clareza.
Ela correu os olhos de cima a baixo.
Fevereiro deste ano, uma geminada de 280 metros, três andares com porão, vendida por 11,5 milhões.
Março deste ano, uma geminada de 230 metros, três andares sem porão, vendida por 9,8 milhões.
Maio deste ano, uma geminada de 260 metros, três andares com porão, vendida por 11 milhões.
Helena sentiu um baque ao ler aquilo.
Ela olhou para Matheus: — A da Sra. Medeiros tem mais de 260 metros quadrados e o valor é de 10,8 milhões.
— É. — Matheus assentiu. — Eu vi. Esse preço deles está na média para baixo.
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