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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 177

Os aplausos ainda ecoavam quando Rafael deu um passo para o lado, abrindo espaço para Valentina descer primeiro.

Ele segurou a mão dela.

Valentina sentiu o calor da mão dele se fechar na sua — firme, seguro — e desceu ao lado dele. Não havia pressa. Não havia hesitação. Apenas a certeza de que aquele momento não podia ser apressado.

O salão permanecia em movimento controlado. Executivos se levantavam, jornalistas reposicionavam câmeras, investidores já murmuravam números antes mesmo que o som ambiente fosse retomado por completo.

Rafael manteve a postura ereta, o olhar à frente.

Mas, por um segundo breve, desviou os olhos.

Vittória conversava com um pequeno grupo, o sorriso social intacto demais. Augusto observava tudo com atenção satisfeita — aquele brilho contido de quem vê cifras antes mesmo de elas se confirmarem no papel.

Foi então que Moreira se aproximou.

— Senhor. — disse apenas, estendendo o tablet.

Rafael parou imediatamente.

O corpo ainda estava no evento.

Mas a mente já tinha voltado ao comando.

Pegou o tablet.

Os números subiam em tempo real.

Gráficos reagindo com rapidez acima do previsto.

Volume de negociação acelerado.

Projeções sendo revistas para cima.

Ele analisou em silêncio.

Valentina percebeu a mudança antes mesmo de entender o motivo. Inclinou-se um pouco mais para perto, sem soltar a mão dele.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, baixa.

Rafael continuou olhando para os números por mais um segundo.

Depois ergueu o rosto.

— Não. — respondeu.

Uma pausa curta.

— Está tudo melhor do que o esperado.

Valentina franziu levemente a testa.

— Melhor quanto?

Rafael devolveu o tablet a Moreira, o olhar agora tranquilo — não relaxado, mas seguro.

— O suficiente para reposicionar a empresa acima de algumas expectativas conservadoras. — disse. — O mercado reagiu bem.

Moreira assentiu.

— Muito bem. — acrescentou. — Já estamos acima de grupos que costumam ditar tendência.

Valentina sentiu o impacto real daquilo.

Rafael voltou a caminhar, ainda de mãos dadas com ela.

— Vamos circular. — disse, baixo. — Antes que resolvam nos transformar em atração fixa.

Ela sorriu de leve.

O salão já tinha voltado ao seu ritmo próprio quando Rafael e Valentina começaram a circular entre os convidados.

Nada ali era espontâneo. Cada aproximação vinha carregada de intenção. Cada aperto de mão escondia cálculo.

Valentina percebeu rápido.

Executivos que jamais teriam se apresentado antes agora inclinavam levemente a cabeça ao cumprimentá-la. Investidores buscavam o olhar dela antes mesmo de falar com Rafael. Jornalistas, impedidos de avançar, anotavam nomes — e o dela surgia repetidamente em blocos discretos.

Não era bajulação vazia. Era reconhecimento em tempo real.

— Impressionante. — murmurou uma mulher mais velha, CEO de um fundo europeu, depois de uma breve conversa. — Vocês entregaram exatamente o que o mercado precisava ver hoje.

“Vocês.” Não “ele”.

Valentina agradeceu com um sorriso contido, sentindo o peso daquela palavra se acomodar nos ombros.

Rafael observava tudo em silêncio. Não interferia. Não corrigia. Não traduzia.

Deixava que ela ocupasse o espaço sozinha.

Foi então que Lucas se aproximou.

Não chamou atenção. Não interrompeu conversa nenhuma. Apenas se posicionou ao lado de Rafael, como quem comenta algo trivial.

— Fênix liberada. — disse, baixo, direto.

Rafael não reagiu de imediato. O rosto permaneceu neutro. Mas os olhos… os olhos escureceram um tom.

— Quando? — perguntou, sem virar o rosto.

— Agora. — Lucas respondeu.

Rafael assentiu uma única vez. Um movimento quase invisível. Mas definitivo.

— Bom trabalho. — disse apenas.

Augusto aproximou-se discretamente.

— O mercado respondeu melhor do que o previsto. — comentou, baixo. — Isso nos dá margem.

— Nos dá poder. — Vittória corrigiu, sem tirar os olhos de Valentina.

Augusto respirou fundo.

— Nos dá lucro. — respondeu. — Que é o que sempre importou.

Ela não respondeu. Porque sabia.

Lucro sem controle não valia nada.

Rafael aproximou-se de Valentina novamente e tocou de leve suas costas.

— Está indo bem. — disse, baixo.

Valentina olhou para ele.

— Sim.

Rafael sustentou o olhar por mais um segundo. Depois assentiu de leve, como se aquela simples confirmação bastasse.

— Então fique perto de mim. — disse. — Ainda não acabou.

Valentina concordou sem responder.

Foi quando um homem alto, cabelos grisalhos e sotaque estrangeiro se aproximou, acompanhado de um assessor. O sorriso era controlado, profissional — o tipo de sorriso que só aparece quando alguém enxerga oportunidade.

— Senhor Montenegro. — cumprimentou. — Sou Richard Hale, do Hale Global Fund.

Rafael virou-se imediatamente, atento.

— Senhora Montenegro. — Hale continuou, estendendo a mão diretamente para Valentina. — Preciso dizer que raramente vejo uma estratégia de posicionamento tão… precisa. O evento comunica estabilidade sem rigidez. Isso é raro.

Valentina apertou a mão dele com firmeza.

— Foi exatamente a intenção. — respondeu. — O mercado global está cansado de excessos. Ele procura confiança.

Hale sorriu, satisfeito.

— Vejo que estamos falando a mesma língua.

Rafael observou a troca sem interferir. Aquilo não era sorte. Era leitura de cenário.

Do outro lado do salão, Isabella assistia à cena com o maxilar tenso demais para disfarçar. O investidor não tinha olhado para ela. Não tinha perguntado nada. Nem sequer registrado sua presença.

Tudo estava acontecendo… sem ela.

E, pela primeira vez, Isabella entendeu que não tinha perdido apenas um lugar. Tinha perdido tempo.

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