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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 179

— Senhora…

A voz feminina a puxou de volta.

Valentina virou o rosto e encontrou a garçonete parada ao lado, bandeja impecável, postura discreta.

— Água tônica com limão e gelo. — pediu, sem pensar demais.

A mulher assentiu e serviu com cuidado. O copo frio tocou seus dedos e Valentina agradeceu com um aceno breve.

— Obrigada.

Levou o copo aos lábios.

O primeiro gole foi automático.

O segundo… estranho.

O gosto parecia diferente. Mais amargo do que deveria. Mais denso. Como se algo tivesse ficado no fundo da língua.

Ela piscou.

Uma vez.

Duas.

O foco demorou meio segundo a mais para voltar.

Valentina respirou fundo, tentando ignorar a sensação súbita de peso nos ombros. O corpo parecia mais lento. Os pensamentos, ligeiramente atrasados.

Talvez seja só cansaço, pensou.

A taça desceu novamente até a mesa.

O chão pareceu se mover um centímetro sob seus pés.

Um cansaço que não combinava com a noite. Nem com a adrenalina que ainda deveria estar correndo nas veias. Muito menos com o fato de que, minutos antes, ela estivera no centro do palco com o mundo inteiro assistindo.

O teto pareceu se afastar por um segundo.

— Valentina?

A voz de Rafael chegou nítida, próxima demais para ser ignorada. Ele já estava ao lado dela, a mão tocando seu braço com atenção imediata.

— Você está bem? — perguntou, baixo, o olhar afiado percorrendo o rosto dela.

Valentina respirou fundo antes de responder.

— Estou… — disse, mas a palavra saiu menos firme do que gostaria. — Só um pouco tonta, acho que tantos brindes e pouca comida, me deixou aérea.

Rafael franziu a testa no mesmo instante.

— Vamos sair daqui. Eu vou com você.

Ela balançou a cabeça, automaticamente.

— Não. — respondeu rápido demais. — Não precisa.

Ele não gostou do tom.

— Valentina—

— Rafael, por favor. — ela insistiu, tentando sorrir. — É só o banheiro. Ar, água… eu volto em dois minutos. Você ainda está cercado de investidores.

Ela olhou em volta, indicando o óbvio. Ele era puxado de todos os lados.

— Depois eu encontro a Bianca. — completou. — Ela está com o Lucas ali.

Rafael hesitou.

O instinto gritava para não deixá-la sair de perto.

Mas o salão exigia presença. E Valentina parecia… consciente. Apenas cansada.

— Me chama. — disse, sério. — Qualquer coisa, me chama.

— Eu chamo. — respondeu. — Prometo.

Ela se afastou devagar, abrindo caminho entre os convidados. O som do salão pareceu se tornar distante demais. As vozes, abafadas. Os rostos, borrados nas bordas.

Cada passo exigia mais esforço do que o anterior.

Estranho…

Ela não tinha bebido quase nada.

A mão tocou levemente a parede quando passou por um corredor lateral. O chão parecia inclinar um pouco.

— Senhora Montenegro?

A voz masculina surgiu ao lado dela com naturalidade demais.

Valentina virou o rosto.

O homem vestia o uniforme escuro da segurança do hotel. Postura profissional. Tom neutro. Presença discreta.

— Sim? — respondeu, piscando algumas vezes.

— O senhor pediu que eu a conduzisse até a sala de descanso. — disse ele, firme. — Para maior conforto.

Ela pensou em Rafael.

Pensou na noite longa.

Pensou que fazia sentido.

O corpo estava pesado para questionar.

— Ah… — murmurou. — Certo.

Deu um passo na direção indicada e sentiu a tontura aumentar. A mão escorregou no ar por um segundo.

O segurança aproximou-se um pouco mais, oferecendo apoio sem tocar de verdade.

— Com cuidado, senhora.

Valentina respirou fundo, tentando manter a clareza.

— Quando… — começou, a língua um pouco lenta — quando o senhor voltar, poderia avisar a Bianca Kato, por gentileza?

— Claro, senhora. — respondeu ele prontamente.

Aquilo a tranquilizou.

Bianca saberia onde ela estava.

Rafael saberia depois.

Tudo parecia… organizado.

O corredor era mais silencioso. A iluminação mais baixa. O carpete abafava os passos.

A cabeça de Valentina parecia cheia de algodão.

— Só alguns minutos… — murmurou, mais para si do que para ele.

O cartão magnético bipou.

A porta se abriu.

O quarto era grande. Luxuoso. As cortinas fechadas demais para aquele horário. A luz suave para um simples descanso.

Valentina entrou devagar.

— Obrigada. — disse, sem virar.

A porta se fechou atrás dela.

Clique.

O som foi baixo.

Definitivo.

CAPÍTULO 179 — QUANDO O CHÃO SE MOVE 1

CAPÍTULO 179 — QUANDO O CHÃO SE MOVE 2

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