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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 187

Bianca segurava a xícara com as duas mãos, mas não bebia. O olhar estava fixo em Valentina, avaliando cada microexpressão, como se medisse até onde podia ir sem quebrá-la.

— Você devia ter visto o Rafael. — disse, por fim.

Valentina ergueu os olhos devagar.

— Visto… como?

Bianca respirou fundo.

— Na festa. Quando você sumiu.

O ar pareceu mudar ao redor da mesa.

— Isabella apareceu gritando. — Bianca continuou. — Disse que tinha te visto entrar num quarto com um segurança.

Valentina franziu a testa.

— Eu… não lembro de nada.

— Eu sei. — Bianca assentiu. — Ela levou jornalistas. Convidados. Segurança. Fez questão de arrastar meio salão até o corredor.

Valentina levou a xícara aos lábios, bebendo um gole pequeno. As mãos estavam firmes demais para alguém que estava tranquila.

— Quando abriram a porta… — Bianca fez uma pausa curta — …você estava deitada na cama.

O coração de Valentina deu um salto seco.

— Sozinha?

— Você. — Bianca confirmou. — Desacordada.

— Os seguranças… no chão. Ensanguentados.

— E o Enzo sentado numa poltrona, esperando.

Valentina piscou algumas vezes.

— Então… — a voz saiu mais baixa — …o Enzo me salvou de novo?

— Salvou. — Bianca disse, sem hesitar. — Ele percebeu que tinha algo errado antes de todo mundo.

Ela se inclinou um pouco para frente.

— Eu também senti. Estava preparada para qualquer coisa.

— Mas a Isabella estava fora de si. Gritava que você tinha traído o Rafael.

Valentina fechou os olhos por um instante.

— Eu não lembro de nada.

— Imagino. — Bianca respondeu. — Mas o que veio depois… você precisava saber.

Valentina abriu os olhos.

— O Rafael entrou naquele quarto… — Bianca continuou — …e o ar mudou.

— Ele não gritou. — acrescentou. — Não fez cena.

— Ele ficou… perigoso.

Valentina engoliu em seco.

— Um dos seguranças falou. — Bianca disse. — Disse que a Isabella mandou ele fazer “coisas” com você.

— Que era pra confirmar a traição.

O maxilar de Valentina travou.

— Sabe o que o seu marido fez? — Bianca perguntou.

Valentina respirou fundo.

— Não…

— Ele deu um tapa na Isabella. — Bianca respondeu, direta. — Na frente de todo mundo.

— E disse: “Quero a família Moretti falida em menos de meia hora.”

Valentina sentiu o estômago afundar.

— Em cinco minutos. — Bianca corrigiu. — Cinco.

— O telefone da Isabella tocou. Era o pai.

— Ele disse que estavam falidos. Que ela estava deserdada.

— Ela caiu no chão.

Valentina soltou o ar devagar.

— E não acabou aí. — Bianca continuou. — Rafael virou para os policiais e disse:

— “Deixem ela trancada com esses dois. Já que ela queria fazer isso com a minha esposa… que experimente.”

Valentina fechou os olhos.

Não por medo.

Por impacto.

— Depois disso… — Bianca suavizou o tom — …ele foi até você. Te pegou no colo. Saiu direto para o hospital.

Valentina abriu os olhos novamente.

— Ele só te largou horas depois. — Bianca completou. — Quando teve certeza de que você estava bem. Aí voltou pra cá.

O silêncio caiu entre as duas.

Valentina olhou para o chá, para a porcelana delicada, para as próprias mãos.

— Ele… fez tudo isso… enquanto eu dormia? — perguntou, quase para si mesma.

Bianca assentiu.

— Fez.

Valentina fechou os dedos ao redor da xícara.

O coração batia diferente agora.

— Eu não sei o que dizer. — murmurou.

Bianca sorriu de leve.

— Eu sei. Tudo foi surpreendente até para mim.

O som de passos suaves anunciou a presença antes mesmo da voz.

Valentina riu junto, o riso escapando fácil demais agora.

As duas riam como quem finalmente respira depois de uma guerra.

Até que Bianca parou de repente.

O sorriso ficou menor.

Mais atento.

— Valentina… — disse, com cuidado. — Acho que o Rafael te ama.

O riso morreu.

Valentina ficou séria.

O silêncio caiu entre elas como uma lâmina fina.

— Não. — respondeu, firme. — Ele está fazendo isso pelo acordo.

— Temos mais quatro meses.

— E com a empresa nesse nível… ele não quer mais um escândalo da própria família.

Bianca levou a xícara aos lábios, bebeu um gole antes de responder.

— Não. — disse, tranquila demais para discordar por impulso. — Ele não fez isso pelo contrário.

Valentina franziu o cenho.

— Como assim?

— Ele fez por você. — Bianca explicou. — Pensa comigo:

— Era muito mais fácil tirar você da mansão.

— Arrumar outro lugar.

— Evitar conflito.

Ela inclinou o rosto.

— Mas ele tirou os pais.

— Da casa onde viveram anos.

Valentina ficou em silêncio.

— Ninguém faz isso só por contrato. — Bianca concluiu. — Isso é escolha.

Valentina olhou para a xícara, para o chá já morno, para o reflexo da própria mão na porcelana.

— Eu não sei dar nome pra isso. — confessou, baixa.

Bianca sorriu, doce.

— Ainda bem. — disse. — Os nomes mais perigosos demoram mesmo.

E ali, entre chá, risos e verdades ditas pela metade, Valentina percebeu algo inquietante:

Talvez o medo não fosse perder Rafael.

Talvez fosse descobrir que ele já não era apenas parte de um acordo.

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