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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 190

O prédio da Montenegro não parecia diferente por fora.

Vidro. Aço. Altura.

Mas dentro… o ar havia mudado.

Rafael entrou pelo acesso reservado, como fazia todos os dias. O segurança apenas inclinou a cabeça. A recepcionista não sorriu — endireitou a postura.

Não era medo.

Era reconhecimento.

Moreira já o aguardava ao lado do elevador privativo, tablet em mãos.

— Bom dia, senhor.

— Bom dia.

O elevador subiu em silêncio.

— O conselho solicitou reunião extraordinária às nove. — Moreira informou. — Todos confirmaram presença.

— Motivo?

— Oficialmente, consolidação de diretrizes pós-abertura de capital.

Rafael soltou um quase imperceptível som pelo nariz.

— Extraoficialmente?

— A Fênix.

Claro.

As portas se abriram.

O andar executivo estava mais movimentado do que o normal. Assistentes andando rápido demais. Portas fechando antes que conversas fossem ouvidas.

A notícia já havia se espalhado.

A sala de conselho estava cheia.

Diretores. Conselheiros. Jurídico. Financeiro.

Quando Rafael entrou, ninguém se levantou — mas todos se alinharam.

Ele ocupou a cadeira da presidência.

— Vamos direto ao ponto. — disse.

O diretor financeiro foi o primeiro a falar.

— A Fênix abriu capital no mesmo horário que a Montenegro. — disse. — Isso não é coincidência.

— Não. — Rafael concordou.

— Em sete dias, consolidaram-se como segunda maior valorização do setor. — continuou. — Isso é agressivo demais para ser orgânico.

Um dos conselheiros cruzou as mãos.

— Isso foi calculado para dividir atenção internacional.

Outro completou:

— É uma afronta.

Silêncio.

Rafael não reagiu de imediato. Observava.

— Senhor presidente… — o jurídico iniciou, ainda testando o título. — Precisamos investigar estrutura societária.

— Já estou nisso. — Rafael respondeu.

O diretor financeiro respirou fundo.

— A empresa está blindada. Usaram estrutura internacional com tecnologia de proteção acionária de última geração. Não há exposição pública dos sócios majoritários.

Rafael inclinou levemente a cabeça.

— Eles não querem aparecer.

— Ou não podem. — alguém completou.

Silêncio.

O conselheiro mais antigo apoiou os cotovelos na mesa.

— Se mantiverem esse crescimento por mais duas semanas, assumem contratos estratégicos que tradicionalmente são nossos.

— Eu sei. — Rafael respondeu.

O diretor comercial arriscou:

— Precisamos reagir.

— Não. — Rafael cortou.

Olhares se cruzaram.

— Ainda não. — completou.

A sala ficou imóvel.

— Reagir agora seria confirmar que nos sentimos ameaçados. — ele continuou. — E a Montenegro não responde a ruído.

— Isso não é ruído. — o financeiro insistiu.

Rafael o encarou.

— Não. — disse com calma. — É movimento.

Fez uma pausa curta.

— E movimentos exigem leitura antes de resposta.

O jurídico folheava relatórios.

— Eles investiram pesado em tecnologia de blindagem de dados. A plataforma societária é praticamente impenetrável.

— Nada é impenetrável. — Rafael respondeu.

Silêncio.

— Quero levantamento completo de contratos fechados por eles desde a abertura. — ordenou. — Quero saber onde estão competindo diretamente conosco.

— Já estamos cruzando dados. — Moreira informou da lateral da sala.

— E outra coisa. — Rafael continuou. — Suspendam qualquer aquisição agressiva por duas semanas.

Alguns diretores se mexeram desconfortáveis.

— Isso pode ser interpretado como retração. — um deles disse.

— Não. — Rafael respondeu. — Será interpretado como estabilidade.

— E senhores…

Todos ergueram o olhar.

— Se alguém aqui estiver em contato indireto com essa empresa…

Fez uma pausa curta.

— Sugiro que reavalie suas lealdades agora.

Silêncio.

Ninguém respirava alto.

Rafael saiu da sala sem pressa.

Do lado de fora, o andar executivo parecia menor.

Porque o poder tinha acabado de se estabelecer.

Moreira apareceu discretamente à porta.

— Senhor.

Rafael não olhou imediatamente.

— Diga.

— O senhor vai almoçar aqui ou com a senhora Montenegro?

A pergunta foi feita no mesmo tom de sempre: profissional, neutro, sem curiosidade indevida. Como quem apenas organiza rotinas. Como quem já entendeu que a rotina do presidente havia… mudado.

Rafael finalmente ergueu o olhar para o relógio no pulso.

Alguns segundos de silêncio.

A agenda estava cheia.

Reuniões em sequência.

Um mercado sensível.

E uma diretoria observando cada movimento.

Ele fechou a pasta com calma.

— Aqui. — respondeu. — Hoje, aqui.

Moreira assentiu imediatamente.

— Providenciarei.

Rafael já se dirigia para o corredor quando Moreira acrescentou, com a mesma discrição habitual:

— O senhor Medeiros está na sua sala, senhor.

— Há quanto tempo? — perguntou Rafael.

— Quinze minutos.

O canto da boca de Rafael se moveu minimamente.

O corredor executivo se abriu à frente dele em linhas de vidro, aço e silêncio corporativo. Funcionários se afastavam sutilmente à sua passagem. Não por medo teatral.

A porta do escritório presidencial se fechou com um som baixo atrás de Rafael.

Ele soltou o botão do paletó com um movimento contido e caminhou até a mesa. Os relatórios já estavam organizados, a tela do computador acesa, a cidade de São Paulo se estendendo além do vidro como um tabuleiro vivo.

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