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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 192

A casa de chá Hanami ficava em uma rua discreta do centro, longe do barulho agressivo das avenidas principais.

Vidro fosco. Madeira escura. Silêncio elegante.

Valentina chegou vinte minutos antes do horário combinado.

Não por ansiedade.

Por estratégia.

Empurrou a porta com cuidado e foi recebida pelo aroma suave de chá de jasmim e porcelana aquecida. O ambiente era calmo demais. Conversas baixas. Xícaras delicadas. Pessoas que pareciam não ter pressa do mundo.

Ela analisou tudo antes mesmo de escolher a mesa.

Saídas.

Janelas.

Espelhos decorativos nas paredes.

Número de clientes.

Funcionários.

Hábito recente.

Consequência do que tinha vivido.

Escolheu uma mesa lateral, não isolada o suficiente para parecer suspeita, mas também não central demais para ficar exposta. Visão parcial da entrada. Boa distância da porta. Ângulo estratégico.

Sentou-se.

A bolsa foi posicionada sobre a cadeira ao lado. O celular ficou sobre a mesa, tela virada para baixo, mas desbloqueado.

Sempre pronto.

Respirou fundo uma vez.

Depois outra.

Nada de pânico.

Nada de impulsividade.

Apenas alerta.

O relógio marcava 14h41.

Ela pegou o celular e abriu a conversa com Bianca.

Valentina:

“Cheguei ao local.”

Digitou mais uma linha.

Apagou.

Digitou novamente.

“Casa de chá Hanami. Centro.”

Enviou a localização em tempo real.

A resposta veio em segundos.

Bianca:

“VALENTINA??????”

“Vc foi sozinha?????”

“EU NÃO ESTOU GOSTANDO DISSO”

“Quem é esse homem???”

“Eu aviso o Rafael AGORA???”

Valentina soltou um suspiro baixo, quase imperceptível.

Digitou com calma.

Valentina:

“Não ainda.”

“Se eu não te responder em uma hora, aí sim você avisa o Rafael.”

Três pontinhos apareceram imediatamente.

Desapareceram.

Voltaram.

Desapareceram de novo.

Bianca:

“Isso NÃO é normal.”

“Eu estou nervosa.”

“E se for armadilha???”

“Pelo amor de Deus responde quando puder.”

Valentina bloqueou a tela devagar.

Não por desinteresse.

Por foco.

Uma atendente se aproximou.

— Deseja algo, senhora?

— Chá de jasmim. — respondeu com naturalidade treinada.

A voz saiu estável. Educada. Controlada.

Como se não estivesse prestes a encontrar um homem que afirmava ter informações sobre a morte dos seus pais.

Soou o tilintar suave de porcelana sendo posicionada sobre a mesa minutos depois.

Ela envolveu a xícara com as duas mãos, sentindo o calor atravessar a pele.

Concreto.

Presente.

Real.

O tipo de gesto que ancorava a mente.

14h52.

O celular vibrou novamente.

Bianca.

Mais mensagens.

Muitas.

Valentina não abriu.

Em vez disso, observou o reflexo discreto no vidro decorativo à frente.

Entrada da casa de chá.

Movimento tranquilo.

Clientes comuns.

Nada fora do padrão.

14h58.

O coração começou a bater um pouco mais forte.

A porta da casa de chá se abriu.

O sino suave acima dela tocou.

Valentina não virou a cabeça imediatamente.

Esperou dois segundos.

Três.

Então levantou o olhar como quem apenas reagia ao som ambiente.

Um homem entrou.

Altura média.

Terno simples, mas bem cortado.

Postura calma demais para alguém perdido.

Passos silenciosos.

Olhar… atento.

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