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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 194

A sala de reuniões estava em silêncio absoluto.

Gráficos projetados na tela. Relatórios abertos. Diretores atentos. O tipo de reunião que não admitia interrupções.

Rafael permanecia de pé na cabeceira da mesa, uma das mãos apoiada sobre o encosto da cadeira, enquanto o diretor financeiro finalizava a apresentação sobre projeções internacionais.

— …e se mantivermos a estabilidade nas próximas duas semanas, consolidamos a liderança sem necessidade de movimentação agressiva no mercado asiático.

Rafael não respondeu imediatamente.

Observava os números. As curvas. Os riscos.

Controle. Estratégia. Tempo.

— Não vamos agir por impulso. — disse por fim, com calma. — Primeiro analisamos as opções e depois avançamos.

Alguns diretores assentiram discretamente.

Moreira permanecia próximo à lateral da sala, como sempre. Postura impecável. Tablet em mãos. Silencioso. Observador.

Foi então que o telefone pessoal de Rafael vibrou.

Moreira lançou um olhar automático para a tela.

E congelou por meio segundo.

Nome exibido: Arthur — Segurança Sra. Montenegro

Os olhos dele se ergueram imediatamente para Rafael.

Não interrompeu a reunião com palavras. Apenas deu dois passos discretos e inclinou levemente o telefone na direção dele.

Rafael olhou.

E parou de falar no meio da frase.

Silêncio.

A sala inteira percebeu.

Porque Rafael Montenegro não interrompia reuniões estratégicas. Nunca.

Ele pegou o telefone sem explicar. Sem justificar. Sem olhar para os diretores.

Atendeu ali mesmo.

— Fala.

A voz saiu baixa. Direta. Fria.

Do outro lado, o som da chuva forte invadia a ligação.

— Senhor… aconteceu algo com a senhora.

Rafael já estava em movimento antes mesmo do homem terminar a frase.

— Onde você está?

Ele se virou e saiu da sala sem pressa aparente, mas com passos longos, firmes.

Moreira o seguiu imediatamente. Sem perguntas. Sem hesitação.

A porta da sala se fechou atrás deles, abafando as vozes dos diretores.

O corredor executivo parecia mais silencioso que o normal.

Rafael levou o telefone ao ouvido enquanto caminhava em direção ao elevador privativo.

— Fale.

— A senhora veio até uma casa de chá no centro da cidade, senhor. — disse o segurança, mantendo o tom profissional. — Chegou tranquila. Tudo normal. Pensamos que ela tomaria chá com sua amiga como sempre faz.

As portas do elevador se abriram.

Rafael entrou sem desacelerar.

Moreira entrou logo atrás.

— E depois? — perguntou Rafael.

O elevador começou a descer.

— Cerca de meia hora depois, senhor… ela saiu.

Uma pausa curta do outro lado da linha.

— Diferente.

O maxilar de Rafael se tensionou discretamente.

— Diferente como?

O elevador continuava descendo pelo prédio, os números digitais diminuindo um a um.

— Ela estava chorando, senhor. — respondeu o segurança.

Silêncio dentro do elevador.

Apenas o som mecânico da descida.

— Eu me aproximei imediatamente e ofereci o guarda-chuva. — continuou o homem. — Ela recusou.

Moreira permaneceu imóvel, mas o olhar já havia endurecido.

— Recusou? — Rafael perguntou.

— Sim, senhor. E ordenou que eu fosse para casa.

Agora, a tensão no ar se tornou palpável.

— Onde ela está agora?

— Estou a duas quadras da casa de chá. Está chovendo muito forte, senhor… e ela está andando.

O elevador chegou ao subsolo.

As portas se abriram.

Rafael saiu sem diminuir o ritmo, caminhando diretamente para o estacionamento privativo.

— Continue seguindo ela. — ordenou, a voz ainda baixa, mas mais firme.

— Sim, senhor.

Ele já destravava o carro com o controle.

— Estou chegando. — completou. — Me mantenha informado a cada mudança de trajeto.

— Entendido.

A ligação foi encerrada.

O silêncio no subsolo era pesado, quebrado apenas pelo som distante da chuva forte atingindo a entrada do estacionamento.

Rafael guardou o telefone lentamente.

Virou-se para Moreira.

O olhar dele agora estava mais frio. Mais calculado.

Mais perigoso.

— Verifique quem esteve na casa de chá. — disse.

Moreira assentiu imediatamente.

— Sim, senhor.

— Quero saber com quem ela falou. — continuou Rafael, abrindo a porta do carro. — E exatamente o que aconteceu naquele local.

— Iniciarei a verificação agora.

Rafael entrou no veículo. Ele ligou o motor.

Sem saber de nada. Sem saber por quê.

Mas com a certeza instintiva de que algo havia acontecido com Valentina.

E isso, por si só, já era motivo suficiente para interromper qualquer reunião no mundo.

O limpador do para-brisa se movia com violência ritmada.

As gotas batiam contra o vidro do carro como se o céu estivesse desabando sobre São Paulo.

Rafael não desviava os olhos da estrada.

— Última localização confirmada na entrada da mansão, senhor. — a voz do segurança ecoava pelo viva-voz, levemente distorcida pela chuva. — Ela está parada no mesmo lugar há mais de dez minutos.

A mandíbula de Rafael travou.

— Continue mantendo distância visual. — disse, seco.

— Sim, senhor.

O trânsito não andava.

Faróis vermelhos. Buzinas. Carros imóveis.

Lentos demais. Todos lentos demais.

O dedo dele tamborilou contra o volante.

Sinal silencioso de impaciência.

— Moreira. — a voz saiu baixa.

— Já estou verificando a casa de chá, senhor. — respondeu do banco ao lado, sem precisar que ele explicasse mais nada.

O carro avançou alguns metros.

Outro semáforo. Outra fila. Outra maldita lentidão.

Rafael soltou o ar pelo nariz, controlado.

Mas os olhos… os olhos estavam diferentes.

Não frios. Não calculistas.

Alertas.

Finalmente, o portão da mansão surgiu ao fundo da rua.

Imenso. Iluminado pelos relâmpagos que rasgavam o céu escuro.

O carro ainda nem havia parado completamente quando Rafael abriu a porta.

A chuva o atingiu em cheio.

Ele não se importou.

A porta do carro bateu com força atrás dele enquanto caminhava direto pela entrada principal.

Com cuidado — um cuidado quase contraditório à sua postura sempre controlada — a colocou sobre o colchão.

— Valentina… — murmurou.

Sem resposta.

A respiração dela era fraca, mas estável.

Os cabelos estavam completamente molhados. A pele fria. As roupas encharcadas coladas ao corpo.

Rafael observou por um segundo.

A decisão foi instantânea.

Ele retirou o paletó molhado primeiro. Depois arregaçou as mangas da camisa.

Desabotoou o casaco dela com movimentos precisos, evitando qualquer gesto brusco, como se até inconsciente ela pudesse sentir a diferença entre cuidado e descuido.

As mãos dele eram firmes. Seguras. Respeitosas.

Trocou a roupa molhada por um pijama mais quente, com a mesma naturalidade de um homem que não delega o que considera responsabilidade sua.

Porque ela era sua esposa.

E ele cuidava do que era dele.

Depois pegou uma toalha seca.

Sentou-se na beirada da cama.

E começou a secar os cabelos dela devagar.

Mecha por mecha.

Sem perceber, o polegar dele afastou uma mecha grudada na testa dela.

Fria demais.

A porta se abriu novamente.

— Doutor Pedro chegou, senhor.

O médico entrou rapidamente, analisando a cena com olhar clínico.

— O que aconteceu?

— Ela desmaiou. — respondeu Rafael, sem desviar os olhos do rosto dela. — Do nada.

O médico se aproximou, examinando pulso, respiração, pupilas.

Silêncio técnico. Minutos controlados.

Rafael permaneceu de pé ao lado da cama. Imóvel. Observando cada movimento.

— E então, doutor? — a pergunta saiu baixa, mas carregada.

O médico endireitou a postura.

— Exaustão extrema. Abalo emocional severo. E hipotermia leve pela exposição à chuva.

Rafael não piscou.

— Ela vai ficar bem?

— Vai. — respondeu com firmeza. — Mas precisa descansar. Ambiente aquecido. Refeição leve. Algo quente… sopa, caldo. E nada de estresse hoje.

Silêncio.

— Obrigado, doutor.

O médico assentiu e saiu.

A porta se fechou.

O quarto ficou quieto novamente.

Apenas o som distante da chuva contra as janelas.

Rafael voltou a sentar-se ao lado dela.

Valentina dormia.

Mas não era um sono tranquilo.

A testa franzida. A respiração irregular. Os dedos levemente contraídos sobre o lençol.

Como se mesmo inconsciente… a mente ainda estivesse lutando contra algo.

— O que aconteceu… — murmurou ele, quase inaudível.

A mão dele se ergueu devagar.

E afastou delicadamente um fio de cabelo do rosto dela.

A pele dela ainda estava fria.

Ele passou o polegar pela lateral do rosto dela, secando um resquício de lágrima que nem a chuva havia apagado completamente.

Os olhos dele escureceram.

O que quer que tivesse acontecido fora daquela casa… tinha feito Valentina chegar ao fundo do abismo emocional.

E Rafael não tolerava o desconhecido quando se tratava dela.

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