Uma mulher estava caída parcialmente contra a parede de concreto, o uniforme claro de limpeza manchado, o tecido rasgado na altura do ombro. O cabelo desgrenhado, a respiração irregular, o corpo curvado como se tentasse se proteger de algo que já a havia atingido muitas vezes.
E à frente dela…
Um homem.
Grande. Descontrolado. A mão ainda erguida, como se a agressão fosse algo banal.
— Eu já disse que não tenho mais! — a voz da mulher saiu quebrada, desesperada, embargada pelo choro e pela dor.
O homem agarrou o braço dela com brutalidade.
— Você acha que pode me enrolar? — ele rosnou, a voz grossa carregada de ódio sujo. — Sua inútil… sua vadia… eu vou acabar com você!
Bianca parou ao lado de Valentina, o choque evidente no rosto, mas sem gritar, sem perder o controle.
— Meu Deus…
Mas Valentina já estava em movimento.
Antes mesmo do pensamento terminar de se formar.
— Arthur. — a voz saiu firme, baixa, cortando o ar como uma ordem cirúrgica. — Agora.
O segurança reagiu instantaneamente.
Dois outros agentes que permaneciam discretos alguns metros atrás avançaram com precisão profissional, sem alarde, sem correria espalhafatosa — apenas ação rápida, treinada e eficiente.
O homem empurrou a mulher com força contra a coluna.
Ela soltou um gemido fraco, o corpo cedendo, as mãos tremendo enquanto tentava se arrastar para trás.
— Por favor… — ela implorou, a voz falhando. — Eu imploro… eu não tenho mais dinheiro… por favor…
Valentina não hesitou.
Ela ignorou completamente o piso frio, a bolsa, o ambiente, a imagem social.
E se ajoelhou no chão.
O concreto gelado pressionou seus joelhos, mas ela nem percebeu.
— Ei… — a voz dela saiu suave, controlada, mas carregada de urgência humana. — Ei, olha para mim.
A mulher ergueu o rosto com dificuldade.
Os olhos estavam vermelhos. Inchados. Cheios de lágrimas reais demais para serem ignoradas. O lábio inferior cortado. Um hematoma já se formando próximo à têmpora.
O olhar dela encontrou o de Valentina.
E ali havia algo devastador.
Medo puro.
Desespero verdadeiro.
— Me ajuda… — ela sussurrou, agarrando levemente a manga do vestido de Valentina com dedos trêmulos. — Por favor… ele vai me matar…
O homem tentou avançar novamente.
— Sai de perto dela! Isso é problema meu!
Mas antes que desse dois passos, Arthur e outro segurança o contiveram com firmeza.
— Senhor, afaste-se imediatamente. — a voz de Arthur era profissional, fria, inabalável.
O agressor tentou se desvencilhar, o rosto contorcido de raiva.
— Vocês não sabem com quem estão se metendo! Ela me deve! Essa desgraçada me deve dinheiro!
Ele se debateu com força inesperada, puxando o braço de forma brusca e, em um movimento repentino, sacou algo do bolso.
Uma lâmina.
Pequena. Mas suficiente.
Bianca recuou um passo instintivamente, a respiração presa.
— Ele está armado!
Arthur não recuou.
Pelo contrário.
— Largue isso agora. — ordenou, a voz baixa e mortalmente calma.
Ao fundo, o som distante de sirenes começou a ecoar. Provavelmente acionadas pela equipe interna do shopping ao detectar a movimentação nas câmeras externas.
O homem olhou ao redor, nervoso, ofegante, percebendo o cerco silencioso se formando.
— Isso não acabou! — ele gritou, a voz carregada de fúria doentia. — Eu volto! Você me ouve?! Eu volto!
Em um impulso desesperado, ele empurrou um dos seguranças, criando espaço suficiente para correr em direção à área mais escura do estacionamento lateral.
— Contenham a área! — Arthur ordenou imediatamente pelo comunicador, sem elevar a voz.
Mas Valentina já não estava olhando para ele.
Toda a atenção dela estava na mulher.
A respiração da desconhecida estava ficando mais irregular.
Mais fraca.
— Ei… — Valentina murmurou novamente, apoiando cuidadosamente a mão no ombro dela, ignorando completamente o sangue que manchava o tecido. — Fica comigo. Está tudo bem agora.
Os seguranças agiram com eficiência absoluta.
Um deles abriu rapidamente a porta traseira do veículo. Outro ajudou com extremo cuidado a erguer a mulher, enquanto Valentina manteve a mão apoiada nela o tempo todo, como se temesse que, ao soltar, ela desaparecesse.
O corpo da mulher parecia leve demais para alguém que carregava tanto sofrimento estampado na pele.
Valentina entrou no carro junto com ela, apoiando a cabeça da desconhecida contra o próprio colo, sem sequer pensar duas vezes na roupa, no ambiente ou nas consequências sociais daquele gesto.
Bianca entrou logo em seguida.
Arthur fechou a porta.
— Hospital mais próximo, agora. — ordenou ao motorista.
O carro partiu com precisão controlada.
Dentro do veículo, o silêncio não era vazio.
Era carregado.
Valentina observava o rosto pálido da mulher, os hematomas, o tremor involuntário que ainda percorria o corpo inconsciente.
E, sem perceber, sua mão começou a acariciar levemente os cabelos dela, em um gesto automático, humano, instintivo.
Como se estivesse tentando dizer, sem palavras:
Você está segura agora.
Bianca observou a cena em silêncio por alguns segundos.
Depois falou baixo, com seriedade rara:
— Val… aquele monstro merece apodrecer na cadeia.
Valentina não respondeu de imediato.
Os olhos continuaram fixos na mulher desacordada.
O carro avançava pela cidade.
E, no colo de Valentina, a mulher permanecia inconsciente, frágil, machucada…
— Vai ficar tudo bem…
A voz saiu calma. Controlada.
Mas, por dentro, algo ardia.
Uma revolta fria.
Porque homens como aquele sempre escolhiam alvos que pareciam mais frágeis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário