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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 209

Uma mulher estava caída parcialmente contra a parede de concreto, o uniforme claro de limpeza manchado, o tecido rasgado na altura do ombro. O cabelo desgrenhado, a respiração irregular, o corpo curvado como se tentasse se proteger de algo que já a havia atingido muitas vezes.

E à frente dela…

Um homem.

Grande. Descontrolado. A mão ainda erguida, como se a agressão fosse algo banal.

— Eu já disse que não tenho mais! — a voz da mulher saiu quebrada, desesperada, embargada pelo choro e pela dor.

O homem agarrou o braço dela com brutalidade.

— Você acha que pode me enrolar? — ele rosnou, a voz grossa carregada de ódio sujo. — Sua inútil… sua vadia… eu vou acabar com você!

Bianca parou ao lado de Valentina, o choque evidente no rosto, mas sem gritar, sem perder o controle.

— Meu Deus…

Mas Valentina já estava em movimento.

Antes mesmo do pensamento terminar de se formar.

— Arthur. — a voz saiu firme, baixa, cortando o ar como uma ordem cirúrgica. — Agora.

O segurança reagiu instantaneamente.

Dois outros agentes que permaneciam discretos alguns metros atrás avançaram com precisão profissional, sem alarde, sem correria espalhafatosa — apenas ação rápida, treinada e eficiente.

O homem empurrou a mulher com força contra a coluna.

Ela soltou um gemido fraco, o corpo cedendo, as mãos tremendo enquanto tentava se arrastar para trás.

— Por favor… — ela implorou, a voz falhando. — Eu imploro… eu não tenho mais dinheiro… por favor…

Valentina não hesitou.

Ela ignorou completamente o piso frio, a bolsa, o ambiente, a imagem social.

E se ajoelhou no chão.

O concreto gelado pressionou seus joelhos, mas ela nem percebeu.

— Ei… — a voz dela saiu suave, controlada, mas carregada de urgência humana. — Ei, olha para mim.

A mulher ergueu o rosto com dificuldade.

Os olhos estavam vermelhos. Inchados. Cheios de lágrimas reais demais para serem ignoradas. O lábio inferior cortado. Um hematoma já se formando próximo à têmpora.

O olhar dela encontrou o de Valentina.

E ali havia algo devastador.

Medo puro.

Desespero verdadeiro.

— Me ajuda… — ela sussurrou, agarrando levemente a manga do vestido de Valentina com dedos trêmulos. — Por favor… ele vai me matar…

O homem tentou avançar novamente.

— Sai de perto dela! Isso é problema meu!

Mas antes que desse dois passos, Arthur e outro segurança o contiveram com firmeza.

— Senhor, afaste-se imediatamente. — a voz de Arthur era profissional, fria, inabalável.

O agressor tentou se desvencilhar, o rosto contorcido de raiva.

— Vocês não sabem com quem estão se metendo! Ela me deve! Essa desgraçada me deve dinheiro!

Ele se debateu com força inesperada, puxando o braço de forma brusca e, em um movimento repentino, sacou algo do bolso.

Uma lâmina.

Pequena. Mas suficiente.

Bianca recuou um passo instintivamente, a respiração presa.

— Ele está armado!

Arthur não recuou.

Pelo contrário.

— Largue isso agora. — ordenou, a voz baixa e mortalmente calma.

Ao fundo, o som distante de sirenes começou a ecoar. Provavelmente acionadas pela equipe interna do shopping ao detectar a movimentação nas câmeras externas.

O homem olhou ao redor, nervoso, ofegante, percebendo o cerco silencioso se formando.

— Isso não acabou! — ele gritou, a voz carregada de fúria doentia. — Eu volto! Você me ouve?! Eu volto!

Em um impulso desesperado, ele empurrou um dos seguranças, criando espaço suficiente para correr em direção à área mais escura do estacionamento lateral.

— Contenham a área! — Arthur ordenou imediatamente pelo comunicador, sem elevar a voz.

Mas Valentina já não estava olhando para ele.

Toda a atenção dela estava na mulher.

A respiração da desconhecida estava ficando mais irregular.

Mais fraca.

— Ei… — Valentina murmurou novamente, apoiando cuidadosamente a mão no ombro dela, ignorando completamente o sangue que manchava o tecido. — Fica comigo. Está tudo bem agora.

Os seguranças agiram com eficiência absoluta.

Um deles abriu rapidamente a porta traseira do veículo. Outro ajudou com extremo cuidado a erguer a mulher, enquanto Valentina manteve a mão apoiada nela o tempo todo, como se temesse que, ao soltar, ela desaparecesse.

O corpo da mulher parecia leve demais para alguém que carregava tanto sofrimento estampado na pele.

Valentina entrou no carro junto com ela, apoiando a cabeça da desconhecida contra o próprio colo, sem sequer pensar duas vezes na roupa, no ambiente ou nas consequências sociais daquele gesto.

Bianca entrou logo em seguida.

Arthur fechou a porta.

— Hospital mais próximo, agora. — ordenou ao motorista.

O carro partiu com precisão controlada.

Dentro do veículo, o silêncio não era vazio.

Era carregado.

Valentina observava o rosto pálido da mulher, os hematomas, o tremor involuntário que ainda percorria o corpo inconsciente.

E, sem perceber, sua mão começou a acariciar levemente os cabelos dela, em um gesto automático, humano, instintivo.

Como se estivesse tentando dizer, sem palavras:

Você está segura agora.

Bianca observou a cena em silêncio por alguns segundos.

Depois falou baixo, com seriedade rara:

— Val… aquele monstro merece apodrecer na cadeia.

Valentina não respondeu de imediato.

Os olhos continuaram fixos na mulher desacordada.

O carro avançava pela cidade.

E, no colo de Valentina, a mulher permanecia inconsciente, frágil, machucada…

— Vai ficar tudo bem…

A voz saiu calma. Controlada.

Mas, por dentro, algo ardia.

Uma revolta fria.

Porque homens como aquele sempre escolhiam alvos que pareciam mais frágeis.

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