"Augusto"
Não podia negar que minha irmã tinha feito uma jogada de mestre e ainda por cima bem debaixo do meu nariz, no meu próprio território, sem que eu percebesse. Ela conseguiu fazer o relatório circular, mas foi o ataque hacker que entregou tudo. Danilo apresentou o relatório do ataque, o objetivo não era prejudicar nenhum cliente, apenas provar que todas as minhas decisões estavam colocando a empresa em risco.
Depois de falar com Diana, voltei para minha sala. Já tinha tomado as providências para sair da empresa naquele mesmo dia.
— Augusto, o que está acontecendo? — Isabella perguntou. Eu não tinha percebido que ela tinha me seguido.
— Minha irmã puxou o meu tapete. Não esperava menos dela, ainda mais agora que meu plano finalmente estava funcionando. Em breve meu pai me deixaria entrar no conselho. Diana nunca teve chance… nem tem, na verdade, mas agora pelo menos ela não tem concorrência.
— Então você vai sair assim? Vai desistir? — Isabella me observava arrumar as pastas, confusa, sem entender.
— Não tem pelo que lutar, Isabella. Quando voltei para a cidade e assumi esse cargo, implementei melhorias, atualizei processos, dei uma nova cara para a SEG29, mais moderna, tecnológica. E deu certo… até Diana “provar” que tudo o que fiz deixou a empresa vulnerável a ataques, que todas essas escolhas foram equivocadas. Perdi o respeito. E não faz sentido lutar por um lugar onde ninguém te respeita.
Isabella ficou sem palavras, parada ali, vendo tudo. Eu tinha me casado com ela justamente para alcançar objetivos maiores dentro da empresa e agora estava indo embora lugar sem ter conquistado nada.
— Você casou comigo por causa disso tudo… — Isabella pareceu ler a minha mente. Eu sabia o que ela estava pensando: se eu deixaria a empresa, por que continuaria casado? Eu poderia muito bem ir embora da cidade, voltar para a minha vida sem rumo, e ninguém sentiria falta.
Mas eu queria isso?
Isabella se aproximou e colocou a mão sobre meu peito, por cima do paletó. Ela usava um vestido social um pouco justo, que delineava suas curvas. Os cabelos soltos, o batom que deixava sua boca ainda mais atraente. Era bonita sem esforço, naturalmente bonita.
— Se você sair… o que vai fazer? — Ela sussurrou. Mas eu sabia que não era essa a verdadeira pergunta.
— Nós vamos continuar casados — respondi, tirando uma mecha de cabelo do seu rosto. — Nada vai mudar. Lembra quando eu disse que nosso casamento era de verdade?
Ela apenas assentiu. Sem conseguir resistir, a beijei, puxando sua cintura até sentir seu corpo colado ao meu. Eu teria continuado ali, explorando aquele beijo, se meu irmão não tivesse decidido aparecer na minha sala, entrando sem bater, como manda a tradição.
— Como assim você vai embora? — César perguntou. — Desculpa, não sabia que você estava aqui, Isabella.
— Tudo bem, eu já estava de saída — ela disse, me dando um sorriso. — Qualquer coisa, me liga. — Deu um selinho rápido e saiu.
— Pelo jeito vocês se acertaram — César comentou.
— Tenho certeza de que você não veio aqui para falar do meu relacionamento com a Isabella.
— Claro que não. Vim falar sobre o absurdo que é a sua saída. Você vai mesmo sair? Vai entregar a vitória para a Diana assim, de mão beijada?
— O que você quer que eu faça? Que eu corra para o nosso pai? Não somos mais crianças. Não vou entrar nessa disputa. E mesmo que eu ficasse, já perdi o pouco respeito que tinha. Agora sou apenas mais um diretor incompetente que só cresceu por causa do pai.
— Augusto, isso não é verdade. Nosso pai sabe disso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido