“Julia”
Eu soube que havia alguma coisa errada antes mesmo da médica abrir a boca.
O cheiro do quarto de hospital improvisado me embrulhava o estômago, a luz branca parecia atravessar meus olhos, e a dor no meu nariz ainda pulsava de leve sob a maquiagem pesada que eu usava para esconder o estrago no rosto.
Tudo parecia ruir ao mesmo tempo.
A médica se sentou à minha frente com aquela expressão ensaiada de pena que eu odiava. Eu tinha ligado para ela, pedindo que viesse imediatamente, quando comecei a passar mal.
— Sinto muito, senhora… a gravidez não evoluiu...
Por um segundo, eu não entendi. As palavras ecoaram na minha cabeça como se pertencessem a outra pessoa.
Não ouvi o que ela falava, a mão foi automaticamente para a minha barriga. O filho de Romeo, perdido.
Fiquei em silêncio, encarando a mulher à minha frente, enquanto sentia algo estranho crescer dentro de mim.
Não era tristeza, era algo pior, mais próximo do pânico. Perder o bebê mudava tudo.
Romeo estava acamado, praticamente imóvel desde o tiro. Demoraria para se recuperar.
Os negócios estavam nas mãos de outros, principalmente de Viktor.
E agora eu já não tinha nem a segurança de um herdeiro para me proteger dentro daquele mundo.
Depois que a médica foi embora, me tranquei no quarto com Adam; tinha que pensar nas possibilidades, no melhor para nós dois.
A maquiagem pesada escondia o roxo que ainda insistia em marcar minha pele, a linha do corte perto da maçã do rosto e a palidez que nenhuma base conseguia apagar.
Ainda assim, eu precisava parecer forte, sempre forte, a futura senhora Bianchi.
Mais tarde, quando entrei no quarto de Romeo para a minha visita diária, ele estava exatamente como eu temia: deitado, pálido e preso àquela cama.
O médico estava otimista: em breve retiraria a sedação, acreditando que ele acordaria e, mesmo que demorasse um pouco, recuperaria a saúde e a posição de poder.
E eu? E meu filho? E agora que não carregava mais o filho dele? Como Romeo encararia essa perda?
Eu tinha mais perguntas do que respostas.
Romeo deveria demorar para acordar, me dando tempo para decidir o que fazer.
Quando saí do quarto, Viktor estava à espera, me encarando como sempre; se dependesse dele, eu estava longe dali.
O olhar dele demorou um segundo a mais no meu rosto, com a crítica estampada ali. Era um olhar desconfortável,; Viktor não gostava de mim e me culpava por o plano ter dado errado, por o chefe ter levado um tiro que quase o matou.
— Como ele está?
Perguntou, seco, como sempre.
— Vivo e lutando — respondi.
Viktor cruzou os braços; ele tinha alguma coisa para falar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...