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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 111

"Augusto"

Minha cabeça latejava, me sentia acabado. Isabella me observava com aquele olhar preocupado que me deixava ainda mais inquieto e eu sabia que, no fundo, ela estava se culpando. Se tinha algo que eu já tinha percebido na minha mulher era essa mania de carregar a culpa pelo erro dos outros.

Sair do hospital me sentindo fraco e em uma cadeira de rodas foi um tanto humilhante, eu odiova demonstrar fraqueza e Karen tinha me obrigado a isso. De uma coisa eu tinha certeza ela não escaparia ilesa.

Quando chegamos em casa, Isabella parecia tensa.

— Já solicitei a alteração das senhas da casa e a proibição da Karen entrar aqui, ontem mesmo a Camila levou as coisas dela para a casa da minha tia, ela foi se abrigar lá.

— Você sabe que nada disso é culpa sua — falei, tentando acalmar um pouco Isabella.

— Eu sei. Não me sinto culpada… — ela murmurou, com a voz falha.

— É claro que sente. Eu te conheço.

— Me conhece? Augusto, não temos nem três meses de casados. Você realmente acha que me conhece? — Ela me olhou em dúvida da minha afirmação.

— Mais do que você imagina. E sei que está se culpando pelo que a Karen armou.

Isabella não respondeu. Apenas desviou o olhar enquanto eu me sentava no sofá. A tensão entre nós era familiar, ela sempre tentava se responsabilizar pelo caos alheio, e eu sempre tentava impedir.

— Isa, amor… olha pra mim. Nada disso é culpa sua.

Ela finalmente ergueu o rosto, com aquela mistura de raiva e decepção consigo mesma.

— A culpa é de quem então? Fui eu quem trouxe ela pra dentro da nossa casa. Depois de tudo… ainda fui idiota o bastante pra acreditar nela. Às vezes eu sentia uma desconfiança, mas… sei lá. Ela tem um filho. Eu achei que tinha mudado.

— Ser mãe não transforma ninguém em santa.

— Eu sei. Mas eu tinha esperanças. Enfim… agora é assunto encerrado pra mim. Vou preparar algo leve pra nós dois, lembra do que o médico disso repouso.

Ela se levantou e foi para a cozinha. Eu a observei por alguns instantes — os ombros tensos, o jeito automático com que abria os armários. Karen tinha ferrado com meus planos e minha reunião com Marcelo Castro ficaria para depois, logo agora que estava tão perto de dar o troco. Mandei mensagem para ele avisando que sofri o acidente, garantindo que nosso acordo ainda estava de pé.

No fim da tarde, César apareceu. Claro que seria meu unico familiar a fazer uma visita, mas pela expressão dele, tinha mais coisa.

— Então quer dizer que a Camila tinha razão em ficar desconfiada, realmente achei que era exagero dela. Fico contente que você saiu quase ileso dessa. A mãe falou que vem te ver amanhã. Ela ficou preocupada.

— Imagino que nosso pai não disse nada.

— Não. Ultimante ele tem outras coisas na cabeça, e uma delas é seu casamento. Dias atrás, ele me chamou com a Diana pra falar do seu almoço com o Marcelo. Ficou puto, como sempre. Foi um tiro certeiro o que você fez… mas também ficou puto com o seu casamento.

— O que meu casamento tem a ver com isso? — Perguntei sem entender como isso era da conta do meu pai.

— Eu sei. Mas eu esperava que ela estivesse feliz com a sua saída… e não foi bem assim. E esse noivado está ficando cada vez mais complicado. Ela foge do Oliver, não atende, não fala com ele. Mas as famílias e ele fingem que está tudo bem. Confesso que estou um pouco preocupado.

— Não precisa. Isso é problema dela. Ela deixou chegar nesse ponto. Agora ela tem tudo o que queria: eu longe e a atenção plena do nosso pai. Ela que resolva.

— Tudo bem, não vou mais falar no assunto, você vai mesmo trabalhar com o Marcelo?

— A ideia é essa, nós tivemos uma conversa bem produtiva e ele gostou das minhas ideias, se mostrou mais aberto que nosso pai.

— O Marcelo é um homem conservador, apegado aos valores familiares e a imagem pública de homem de familia.

— Eu sei disso, mas o que isso tem a ver?

— Não se faça de desentendido — César comentou me encarando, eu sentia um pouco de julgamento no olhar — Seu casamento até o momento abriu várias portas até mesmo fora da empresa.

— César...

— Não precisa dar nenhuma explicação é apenas um fato, você e a Diana são jogadores, nenhum passo é dado em falso, não é uma critica, apenas uma constastação.

Não falei nada, ele tinha razão, mudamos de assunto quando Isabella voltou. Mas eu conhecia César. A preocupação dele com Diana, o comentário sobre meu casamento, tinha algo mais sério acontecendo.

Eu, por outro lado, não tinha energia para sentir pena da minha irmã. Diana que lidasse com os próprios fantasmas.

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