"Isabella"
A tensão na cozinha era palpável, mas, olhando para os dois, eu só conseguia pensar no quanto aquilo tudo era ridículo. Éramos um bando de empresários — no meu caso, falida e roubada, sem nada — e no caso de Diana e Augusto, ás vezes era dificil entender o drama.
Acabei rindo. Literalmente rindo da situação, no meio da cozinha.
Diana e Augusto me encararam como se eu tivesse perdido o juízo, e acho que depois de tudo era normal perder a cabeça.
— Gente… sério — falei, enxugando uma lágrima de riso. — Eu entendi, o pai de vocês é perigoso, só vocês sabem do que ele é capaz. Mas vocês são ricos. Ricos de verdade. E estão preocupados com o quê? Em entrar para o conselho? Em virar CEO? Vocês acham mesmo que ele vai sair do trono? Esse homem vai viver mais uns trinta anos, e mandar durante todo esse período. Isso significa que seus trinta anos vão simplesmente sumir, Diana.
Ela franziu a testa, mas ficou calada.
— E um dia você vai ter sessenta, casada com um Oliver, com os filhos dele, frustrada e amarga — continuei. — E você, amor — olhei para Augusto — nosso casamento provavelmente vai acabar, e você vai estar com sessenta anos ainda tentando entrar no maldito conselho.
O silêncio foi tão pesado que eu senti o ar ficando denso.
— O que vocês querem de verdade? — perguntei. — Porque o pai de vocês não vai deixar nada acontecer. A menos que vocês tirem ele de lá, o que não seria uma má ideia.
Diana abriu a boca, hesitou e desistiu. Abaixou a cabeça. Augusto me olhou com um pouco espantado com a minha sugestão, que parando para pensar me deixava no mesmo patamar que eles, talvez um pouco pior, porque pelo jeito ninguém ainda tinha ousado pensar em derrubar o próprio pai.
— Você veio aqui chorar, dizer que não aguenta mais — continuei — e armou contra o próprio irmão para ele sair do caminho. Então por que não armar contra o Oliver? Ou contra o pai do Oliver? Não é possível que ele controle tudo e vocês aceitem assim.
Augusto e Diana trocaram aquele olhar silencioso de família que sabe segredos que ninguém diz em voz alta. Eu já estava cansada daquela aura de família meio mafiosa. Eu já tinha minha própria família podre para lidar.
— Não gosto muito de você no momento, mas se precisar dar outro soco no Oliver não me importo, podemos fazer as pazes por cinco minutos, te ajudo a se livrar do seu noivo insuportável.
— Você acha que mesmo que nosso pai vai abandonar essa oportunidade de fazer negócio com o pai do Oliver? Eles fazem jantares toda semana, são reuniões e reuniões só para discutir a lista de clientes que vai levar a SEG29 para o mundo. Só se meu noivo morresse as coisas mudariam.
— Quando eu disse para se livrar dele, não era para matar — Falei na brincadeira, mas no fundo me perguntei se ela tinha coragem de fazer uma coisa assim.
— Eu vou indo — Diana disse enfim, levantando-se. — Obrigada pelo chá… e pelos conselhos. — Pegou a bolsa e desviou o olhar. — Eu acho que devo um pedido de desculpas. Eu manchei seu nome. Depois que você descobriu, não imaginei que você fosse realmente sair. Já imaginava você tinha um plano… afinal todos nós temos, não é?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido