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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 123

"Augusto"

Só tinha duas cópias do contrato de casamento com Isabella, uma com ela, que, até onde eu sabia, estava com a advogada, e outra em casa, guardada no cofre. Antes mesmo de descobrir quem teve acesso aos detalhes do contrato, fui direto para casa. Precisava confirmar se o cofre havia sido violado, em caso positivo eu podia ter problemas maiores do que a exposição do meu casamento falso.

Isabella não estava. Entrei no quarto como um furacão, fui direto ao closet e abri o compartimento escondido. Bastou um segundo para o sangue subir à cabeça. O contrato havia sumido. Dinheiro também.

Documentos importantes. Papéis que, nas mãos erradas, poderiam me destruir.

Eu ri, um riso curto, amargo. Tinha sido ingênuo. Subestimei meu pai. Subestimei todo mundo. A casa não tinha qualquer registro de invasão, nenhum alerta do sistema de segurança. Alguém entrou ali com facilidade. Alguém que tinha permissão. Alguém que conhecia a rotina.

Liguei para John e pedi uma verificação imediata. Quem quer que tivesse feito aquilo saiu lucrando e muito.

E então o pensamento que eu vinha evitando se impôs com violência, Isabella. O quanto eu realmente conhecia a mulher com quem me casei? Claro que não conseguia acreditar que ela faria uma coisas dessas, mas não podia confiar em ninguém.

Além disso não era preciso ser nenhum gênio para entender as consequências de tudo isso. Marcelo jamais manteria na empresa um homem exposto daquela forma. Um homem que havia transformado o casamento em um contrato de conveniência, sendo que o ele era um grande defensor da familia, essa porta poderia considerar fechada.

Mas não podia pensar nisso agora, a questão era quem tinha entrado no quarto e como tinha aberto o cofre.

Karen, a resposta veio como um raio. Ela teve tempo suficiente em minha casa, acesso demais, confiança nenhuma. Mas Karen não faria aquilo sozinha. Nunca faria, precisava descobrir que tinha sido o infeliz que tinha ajudado ela.

Quando Isabella entrou em casa, dava para perceber que estava nervosa.

— A minha advogada confirmou que o vazamento não veio do escritório dela — disse, cautelosa.

— Claro que não veio — rebati, sem olhar para ela. — Veio daqui. De dentro da minha casa. Esvaziaram o cofre, tinha coisas importantes no cofre além do contrato de casamento.

Ela empalideceu, me olhando assustada.

— Mas quem... Como alguém entrou aqui? Tem câmeras e seguranças para todos os lados...

— Karen — virei-me finalmente para ela. — A desgraçada da sua irmã ficou aqui dentro tempo suficiente para descobrir o cofre.

— Karen? — ela arregalou os olhos. — Isso não faz sentido.

— Chega! — ela elevou a voz, chorando agora. — Eu não sou sua inimiga....

— Não. Você é pior do que um inimigo. É alguém que eu coloquei dentro da minha própria casa — respondi, sem qualquer suavidade. Eu sabia que estava indo longe demais, mas não conseguia parar.

Era coisa demais. Eu tinha sido roubado dentro da minha própria casa, meus planos destruídos, minha vida virada do avesso por causa de uma mulher que não valia nada. E o pior, eu tinha certeza de que havia o dedo do meu pai em tudo aquilo. Ainda não conseguia enxergar como as peças se encaixavam, mas sabia que aquele caos não era coincidência.

O silêncio caiu pesado entre nós.

Isabella me encarou por alguns segundos, como se ainda procurasse alguma coisa.

— Se é assim que você me vê… — disse, enxugando as lágrimas. — Então não faz sentido continuar aqui.

Ela se virou e saiu do quarto sem olhar para trás.

Eu fiquei parado, algo tinha se quebrado ali e não era só a confiança.

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