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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 294

"Júlia"

Romeo, no dia seguinte, quis ir para o quarto dele. Disse que não suportava o quarto hospitalar, que, mesmo sendo um espaço dentro da residência, ainda parecia um hospital.

Concordei e o ajudei a se instalar no quarto — o que, na verdade, ajudava com o meu plano.

Aproximei-me da cama com calma, controlando cada expressão. Ele precisava ver o de sempre, lealdade, dedicação… amor.

— O importante é que você já está bem melhor — falei, suave. — E agora precisa descansar.

Ele assentiu, mas os olhos não paravam quietos. Observando. Pensando. Nem perguntou da minha gravidez, mal-humorado, querendo apenas voltar ao ritmo normal.

— E o Viktor? — perguntou mais uma vez.

— Não sei, amor, ele não voltou ainda.

— Chama o Igor — ele ordenou, seco. Era assim que falava comigo desde que acordou.

— Claro.

Igor era um cara alto, parecia um armário. Eu não tinha muita certeza da função dele, mas ficava do lado de fora, com os seguranças, e sempre estava falando com Viktor. Nunca tinha trocado mais que um bom-dia com ele.

O homem não olhou na minha cara e foi direto para o quarto de Romeo. Conversaram por um tempo — eu já imaginava o assunto, o sumiço misterioso de Viktor. Eu tinha que agir rápido.

Quando Igor saiu, e ficamos sozinhos, peguei o rémedio dele, dois comprimidos e um copo de água.

— Você precisa tomar isso — falei, com naturalidade. — Vai ajudar.

Ele não questionou, já estava tomando diversos remédios. Observei enquanto ele levava o copo à boca, bebendo sem hesitar, sem reclamar do gosto, nem nada, bebeu tudo de uma vez.

Coloquei o copo de volta no lugar, ajeitando a bandeja como se aquilo fosse apenas mais um gesto de cuidado.

— Descansa, você não pode ficar agitado assim, não faz bem — murmurei.

Ele assentiu, mas já parecia distante. O corpo entendendo antes da mente. O rémedio era um sedativo, com outro rémedio e mais uma coisinha misturada na água, Romeo tentou dizer algo, mas as palavras não vieram. Ele apertou o peito com a mão.

— Meu Deus, o que está acontecendo? — gritei. — Romeo, fala comigo, o que você está sentindo?

Os olhos encontraram os meus. Ele entendia, mas não conseguia falar, tarde demais.

Não fiquei para assistir ao fim. Saí correndo, pedindo socorro. A enfermeira, que estava almoçando, veio correndo, e mais pessoas também — mas eu sabia era tarde demais.

Ela tentou reanimá-lo, ligou para o médico. Os empregados ajudaram a levá-lo de volta para a ala hospitalar da casa, onde tentaram de tudo, mas Romeo estava morto.

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