As pontas dos dedos de Luciano afundaram profundamente na palma da mão.
Um mês atrás, aquele guarda desprezível não teria nem o direito de engraxar seus sapatos e agora... ousava humilhá-lo!
Respirou fundo, obrigando-se a manter a calma. A promessa de Zoé ainda ecoava nos ouvidos — em breve estaria livre, só precisava aguentar mais um pouco até Zoé vir salvá-lo.
Mas a ardência no estômago tornava impossível pensar.
Ele precisava de comida, comida de verdade, não aquela massa que nem um porco comeria.
"Escuta, eu te dou dinheiro, muito dinheiro, é só me trazer uma refeição decente." Luciano tentou subornar o guarda.
O guarda cruzou os braços, impassível.
Luciano insistiu: "Quando eu sair daqui, vou te recompensar dez, cem vezes mais."
O guarda olhou para ele como se assistisse a uma comédia. "Olha só pra você, feito um porco, tem que comer comida de porco."
As pupilas de Luciano se contraíram de repente, o sangue lhe subiu à cabeça. "Você ousa falar assim comigo?"
O guarda respondeu com desprezo: "Por que não ousaria? Agora você é só um prisioneiro, não é nada."
O guarda virou-se para sair.
"Espere!" Luciano gritou. "Ao menos me traga um copo de água limpa!"
O guarda nem olhou para trás: "Talvez na próxima, se eu lembrar."
Luciano ficou tão furioso que seu rosto se contorceu.
De repente, agarrou a bandeja de metal e, com toda a força, lançou-a contra a parede.
"BANG!"
Aquela massa pastosa espirrou para todos os lados, algumas gotas até ricochetearam em seu rosto.
Luciano limpou o rosto freneticamente com o dorso da mão até a pele ficar avermelhada.
Zoé não se deu ao trabalho de ser cordial. Caminhou até a mesa e sentou-se, cruzando as pernas com elegância, revelando o contorno perfeito das panturrilhas sob a meia-calça preta. "Ouvi dizer que está disposto a nos ajudar?"
Foi direto ao ponto: "Diga o que quer em troca de salvar Luciano."
O homem mascarado riu, sentando-se novamente.
Os dedos tamborilaram na mesa, num ritmo estranho e irregular: "Você sabe que, para tirar o Sr. Castelo daqui, não vai ser fácil..."
"Posso garantir sua fuga em segurança." Zoé o interrompeu, tirando um cheque da bolsa e empurrando-o sobre a mesa. "O suficiente para garantir uma vida confortável até o fim dos seus dias."
O homem nem olhou para o cheque, balançou a cabeça: "Não quero dinheiro."
Zoé arqueou as sobrancelhas: "Então o que você quer?"
Os olhos cinzentos do homem de repente se tornaram penetrantes. Ele se ergueu devagar, contornou a mesa e ficou diante de Zoé.
Zoé sentiu o cheiro de tabaco e couro misturados nele, com um leve toque metálico de sangue no ar.

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