Jessica ergueu os olhos, debilitada, a voz tão leve quanto uma pena: "Deixe-me ir... ou eu morro aqui."
Hugo não sabia mais o que fazer com ela.
Ela preferia morrer a ficar ao seu lado.
Na manhã do terceiro dia.
A respiração de Jessica ficava cada vez mais fraca, a cabeça pendendo sem forças para o lado, prestes a desmaiar.
Hugo finalmente se rendeu.
Antes que ela perdesse a consciência, ele amparou seu corpo que desabava. Seus braços tremiam e a voz estava terrivelmente rouca: "Jessica... eu perdi para você!"
Jessica, com os olhos semicerrados e a consciência turva, ainda perguntou com obstinação: "Você... vai me deixar ir?"
Hugo cerrou os dentes, cada palavra como se fosse arrancada por entre eles: "Sim... eu deixo você ir!"
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Jessica antes que ela finalmente mergulhasse na escuridão.
Na enfermaria.
O Dr. Braga, após administrar uma solução nutritiva em Jessica, suspirou: "Sr. Siqueira, a saúde dela já era frágil, não aguenta mais tanto desgaste... Se continuar assim, algo grave vai acontecer."
Hugo, de pé ao lado da cama, fixava o olhar no rosto pálido dela. Demorou um longo momento para responder: "Eu sei."
Naquele instante, ele admitiu a derrota.
Havia perdido para ela, completa e totalmente.
Três dias depois.
Jessica abriu lentamente os olhos, finalmente acordada.
Seu rosto ainda estava pálido e os lábios, ressecados, mas sua consciência estava clara.
Ao lado da cama, Hugo segurava uma tigela de canja morna. Ao vê-la despertar, sua expressão relaxou um pouco, e ele levou uma colher aos lábios dela.
"Coma alguma coisa primeiro."
Sua voz era grave, mas mais suave que o habitual. "Você sobreviveu apenas com injeções de nutrientes esses dias. Seu estômago está vazio. O médico disse para começar com algo de fácil digestão."
Jessica ficou surpresa.
Ele não a tratou bem?
Para ser justa, embora Hugo fosse autoritário, possessivo e, às vezes, irracional, ele nunca a havia machucado de forma substancial.
Ele lhe dera o melhor em termos de roupas, comida e moradia, tolerava seu temperamento e, no final, até cedeu.
"Você me tratou muito bem", disse ela em voz baixa. "Mas eu não quero ficar aqui para sempre. Eu quero ir para casa, encontrar minha família."
Hugo deu uma risada, virando-se para encará-la: "A verdade é que você não quer passar a vida inteira comigo, não é?"
Jessica franziu os lábios, sem dizer nada.
O silêncio era uma confirmação.
O coração de Hugo afundou. Finalmente, ele respirou fundo, como se tivesse tomado uma decisão.
Sua voz estava rouca. "Certo, eu prometo deixar você ir, mas..."

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