A revelação de Natália de que também estava grávida travou em sua garganta.
Sérgio prosseguiu:
— Neste exato momento, a Melissa realmente precisa da minha ajuda! A vida dela está destruída, você não pode ser um pouco compreensiva? Além do mais, a criança que ela espera é do Fábio! Será que você não tem capacidade de engolir o orgulho, dar o seu melhor para cuidar dela e garantir que essa criança venha ao mundo com saúde? Precisa fazer pirraça logo agora com essas suas frescuras?
Natália abriu a boca, mas sentiu-se como um peixe fora d'água. Queria vomitar as palavras entaladas na garganta, sentia uma raiva explosiva, queria gritar, berrar, xingar.
Mas, no final das contas, tudo se dissolveu em um imenso vazio de impotência.
Ela permaneceu calada.
Sérgio não desligou o telefone. Permaneceu em silêncio por um instante antes de dizer:
— Chega, para de birra. Volte amanhã cedo.
Ele sabia perfeitamente que ela não tinha outro lugar para onde correr, a não ser voltar para a casa dos pais.
Ao escutar aquilo, Natália deu um riso amargo. Seus olhos estavam embaçados de lágrimas quando ela murmurou:
— Sérgio.
Ele cerrou os dentes, mas não respondeu.
Natália chamou de novo:
— Sérgio.
Já sem paciência, Sérgio esmagou o cigarro no cinzeiro:
— O que foi que você quer...
— Vamos nos divorciar. — interrompeu Natália.
Sérgio ficou estupefato, talvez até sem conseguir digerir as palavras dela de imediato.
Foram necessários alguns segundos para que ele respondesse:
— Você perdeu a cabeça?
Num tom de voz bem calmo, Natália confirmou:
— Divórcio. Eu estou esgotada.
Feito o anúncio, ela mesma encerrou a chamada.
Porém... as lágrimas também rolaram.
Divórcio...
Era algo que, honestamente... ela nunca havia cogitado.
Ela havia amado Sérgio durante dez anos. Diante dele, toda a sua vaidade e seu orgulho implacável evaporavam.
Ela acreditava que, se desse tudo de si, em algum momento, ele acabaria gostando um pouco dela.
E o relacionamento deles estava mesmo tomando um rumo melhor.
Mas essas melhorias eram pífias, completamente aniquiladas pela simples existência de Melissa!
Bastou um breve retorno para que Melissa invalidasse todo o esforço brutal que Natália havia depositado naqueles dois anos de casamento.
Mesmo sabendo que ela não estava em casa, Sérgio estava determinado a trazer Melissa para ser cuidada.
Ah.
Pelo visto, ele estava empenhado em se transformar no porto seguro inabalável e impenetrável de Melissa, certo?
O ânimo de Natália continuava no chão, mas tomar a canja feita pela mãe a deixou com um sentimento de aconchego.
Ximena Reis, mãe de Natália, analisou o belo e pálido rosto da filha, e perguntou preocupada:
— Você e o Sérgio brigaram?
Natália gelou por um segundo, mas balançou a cabeça:
— Não. Só estava com saudade da senhora e do papai. Vim passar uns dias aqui.
Ximena não fez questão de desmascarar a mentira. No fundo, ela sabia muito bem qual era o verdadeiro estado do casamento da filha.
Ela soltou um sorriso:
— Quando der saudade, pode vir nos visitar sempre que quiser.
Natália sorriu e concordou:
— Sim, mãe.
— Experimente isso. — Ximena colocou um pedaço de pão frito no prato da filha.
Natália espetou o pão com o garfo, mas assim que o cheiro de óleo tocou seu nariz, um forte enjoo subiu por sua garganta.
Sem conseguir se conter, ela largou o garfo e correu até a lixeira.
Mas não conseguiu vomitar nada, sofrendo apenas uma onda de ânsia.
A cena assustou Ximena, que imediatamente buscou um copo d'água e correu até a filha, batendo levemente em suas costas:
— O que houve? Está se sentindo mal?

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