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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 8

— Compreendo. — assentiu Sérgio.

— Talvez... isso tenha a ver com a tragédia do Fábio. — sondou Ximena.

O genro não estava minimamente preparado para tanta objetividade.

Em condições normais, como sogra, não seria prudente esquivar-se de semelhantes pormenores?

Sérgio manteve os lábios cerrados.

— As curvas e contra-curvas dessa história são evidentes aos olhos de todos, não há por que tapar o sol com a peneira. O Fábio era louco pela Nati, isso é de conhecimento geral. — frisou a senhora.

Ele baixou as pálpebras, ocultando qualquer sombra de emoção no olhar.

— Contudo, a Nati é a sua esposa. — recomeçou a mãe. — O único homem a quem ela dedicou amor do princípio ao fim foi você, e isso também é de conhecimento geral. Porém, ela mantinha laços muito estreitos com o Fábio; se fôssemos colocar um rótulo na relação, eles decerto seriam amigos íntimos, até mesmo amigos de infância. Quando um grande amigo morre de forma prematura em um acidente trágico, é impossível que o outro se mantenha imperturbável. Concorda?

Ximena transferiu o encargo daquela reflexão para as mãos dele.

Evidentemente, em milésimos de segundo, ele assimilou as segundas intenções daquela tática de abordagem.

— Tem toda a razão, mãe. — aquiesceu.

Era indubitável o medo que Ximena nutria perante a possibilidade de o passamento do outro homem ser o estopim para abalos sísmicos matrimoniais na casa dos dois.

Mas essa pauta jamais encabeçara a lista de urgências dele, logo, não importava.

— Se a tristeza da Nati por causa do Fábio o tira do sério, será que a Melissa também não é a mulher dele? — acrescentou Ximena surpreendentemente, contrariando a presunção dele de que a sogra já houvesse esgotado os seus argumentos.

O rapaz aturdiu-se pela enésima vez; todavia, permitiu-se soltar uma risada.

Foi um riso... de conotações singulares. Em suma, extremamente enigmático.

Nunca suspeitara do tamanho da "lábia" de sua digníssima sogra.

Ou até soubesse, mas nunca tivesse concedido relevo à dita.

— Como disse? — Ele travou os passos e encarou Ximena, mesclando pitadas espessas de assombro a um tom de cepticismo.

Era por demais evidente o grau de alienação e de indiferença automática de que a senhora sentia o seu genro vítima.

— Se uma mulher vomita até ter a garganta seca, exibe apetite fraco e refuta comidas engorduradas por se sentir nauseada, abstraindo das adversidades do foro gástrico, a única aposta válida no cardápio seria o abençoado veredicto de uma gestação, não seria? — sugeriu ao virar os calcanhares para o alvo, os lábios retraídos em um arco muito tênue.

Aquilo mais parecia a libertação premeditada de uma "bomba" de artilharia pesada.

A palavra que estampou a frase desferiu impactos profundos no semblante de Sérgio, deixando-o aturdido.

— Grá... vida? — balbuciou segundos depois, incapaz de acatar o fato de livre e espontânea vontade.

— Você por acaso não anseia ou não deseja que tal proeza seja verdadeira? — Ximena fixou os olhos plácidos sobre a fisionomia dele.

— Isso é piada sua, mãe. — O recado fê-lo recobrar a compostura recém-amassada. Puxou as abas dos olhos de imediato, sufocando as inquietações na base de um murmúrio pacato, à prova de oscilações.

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