Ximena não respondeu, ou melhor, optou deliberadamente por ignorar aquele comentário.
Ela apenas o encarava, esperando que ele dissesse algo.
Aquilo era a exigência de uma promessa, de uma postura.
Não importava se a promessa seria cumprida, ou se a postura era apenas da boca para fora.
Mas, naquele momento, era necessário.
Sérgio não teve alternativa a não ser manifestar sua posição:
— A Natália é minha esposa, cumprirei com a minha responsabilidade.
Só então Ximena assentiu:
— Certo.
Ximena virou-se e retomou o passo. Sérgio a seguiu logo atrás e, após dois segundos de silêncio, perguntou:
— A senhora tem certeza?
Ximena respondeu:
— Foi só um palpite.
Sérgio, de repente, ficou sem palavras. Seria aquilo apenas uma desculpa que Ximena encontrou para lhe dar uma lição?
Afinal, era a primeira vez que ela o enquadrava daquela maneira.
O rosto de Sérgio escureceu.
Ximena acrescentou:
— Vocês são casados. Você deveria saber a resposta melhor do que eu.
Ao ouvir aquilo, a expressão de Sérgio piorou ainda mais, mas ele apenas respondeu com um som gutural:
— Hum.
Os dois não disseram mais nada; apenas o som de seus passos ecoava no corredor.
Mas Sérgio começou a pensar... de quando seria?
Seria possível?
A mente de Sérgio viajou um pouco.
Havia pouco mais de um mês, ele e Natália realmente... haviam tido relações.
Naquela noite, Natália se agarrou a ele feito uma gatinha carente; era impossível afastá-la.
Então... teria sido daquela vez?
Sérgio franziu a testa.
Mas, de repente, lembrou-se de que Ximena também só estava supondo; talvez Natália estivesse mesmo doente.
E, se estivesse grávida de verdade, por que ela não lhe contou e, em vez disso, ficou de pirraça?
Conhecendo o temperamento de Natália, se ela realmente estivesse esperando um filho dele, faria questão de "anunciar ao mundo" e até de dar um banquete.
Sendo assim, as chances eram nulas, certo?
Sérgio suspirou de alívio.
Natália estava começando a ficar ansiosa. Ela não resistiu e se levantou assim que viu os dois se aproximando.
Ximena foi a primeira a falar:
— A sua mãe disse que você está grávida.
As pupilas de Natália se contraíram em choque.
Ximena tinha adivinhado?
Mulheres mais velhas eram realmente tão perspicazes assim?
Natália abriu a boca para falar, mas, sem esperar a resposta, Sérgio disparou:
— Você não tomou a pílula da última vez?
Os olhos dele transbordavam de frieza, desconfiança e desagrado.
Aquilo aniquilou instantaneamente o "Sim" que já estava na ponta da língua dela.
Natália puxou o braço com força, desviando o olhar para não encarar aquele rosto.
Aquele rosto que ela conhecia tão bem, que amava profundamente, e que estava gravado em seu coração há tantos anos.
Após um instante de silêncio, Natália mentiu friamente:
— Eu tomei.
Desta vez, foi Sérgio quem se calou.
Mesmo sem olhar para ele, ela sentiu, de forma quase palpável, o suspiro de alívio do marido.
Ali, Natália teve a certeza: Sérgio só disse aquilo para testá-la.
Se Ximena estivesse tão convicta da história, eles não estariam discutindo isso dentro do carro.
Natália soltou uma risada gélida. Entendeu, naquele instante, que o marido que ela tanto amava sequer desejava que ela engravidasse!

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