ISABELLA
Ele me deu uma taça e bebeu a dele como se fosse água. Eu o segui, sentindo o ardor descer pela minha garganta.
William pegou as duas taças e as deixou em cima da mesa do bufê.
—Vem, vamos pra uma festa de verdade, porque só me falta o odioso meio-irmão do Rei Lycan também aparecer nessa festa.
Ele rosnou baixinho, segurando meu pulso com força e me levando por entre as pessoas até um dos corredores que davam para o jardim.
O odioso meio-irmão do Rei não era o próprio pai dele? Eu nem me atrevi a perguntar, com a raiva que ele estava.
Meus saltos ecoaram nas lajotas e eu levantei a cabeça por um instante, para ver o cenho franzido do Kaden quando ele nos viu indo embora.
Ele não podia fazer nada, ele tinha me colocado sob a proteção do William, e eu também não queria ficar aqui.
Eu me deixei levar pelo lycan alto de cabelo claro, olhando para as costas curvadas dele.
Tinha alguma coisa acontecendo entre William e Darius, algo tão inacreditável que eu nem me atrevia a suspeitar.
“Os dois gostam de linguiça?”
“Thera, pela Deusa, cala a boca, vai que ele ouve!” exclamei na minha mente, sendo levada pelo jardim.
Atravessamos o gramado e nos enfiamos entre os ciprestes altos.
Atrás ficaram as risadas e a música flutuava no ar.
“Duvido que ele escute qualquer coisa, o coitado tá super mergulhado nos pensamentos dele. Eu tô farejando aqui amor proibido e paixão gay”.
Revirei os olhos, sem responder à novela inteira que ela já estava montando na cabeça.
A noite se movia sobre nossas silhuetas, sobre os galhos densos das árvores que passavam ao nosso lado.
—Merda, tira os sapatos, gata, a gente tem que correr —William sussurrou, me jogando no chão e me pegando de surpresa, enquanto dava pra ouvir passos entre os arbustos próximos.
“Com a presença da família real, a segurança aumentou, mas eu conheço um jeito de sair da Academia. Me segue”.
Ele falou na minha mente e fez um sinal com a mão para começarmos a nos arrastar por entre as sombras das raízes, os arbustos densos, e, de algum jeito maluco, chegamos a um penhasco alto.
Gotas d’água respingaram no meu rosto, vindas da enorme cachoeira que despencava do topo da montanha.
William parou na beirada da saliência e começou a tirar a roupa.
—Que diabos você tá fazendo? —perguntei entre dentes, olhando a floresta ao meu redor, esperando que a gente não fosse pego.

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