ISABELLA
—Bebe, bebe, bebe! —os gritos ecoavam na minha cabeça, enquanto eu ficava pendurada a vários metros do chão.
Minhas pernas, amarradas na viga do teto, enquanto eu sugava por uma mangueira algum tipo de brebagem viciante dessa cantina clandestina de magos.
Eu tinha que fechar as coxas com força para o vestido não mostrar toda a minha calcinha, embora, pra falar a verdade, nem sei se já estava à mostra.
Como eu fui parar nessa competição de bêbados? Só a Deusa sabe.
William, o mesmo que agora ria e apostava que eu ganharia de um gordo com barriga de cervejeiro, tinha me trazido ao vilarejo neutro.
Segundo ele, encontrou todo um submundo clandestino enquanto procurava alguns ingredientes raros que Kaden tinha mandado ele buscar.
E, sinceramente, acho que o diretor da Academia não faz ideia do antro ilegal que tinham montado debaixo da terra.
—Ggrgg…
—Não solta, garota, você já tá quase lá! —ele gritou quando a bebida azul borbulhante ameaçou sair até pelo meu nariz.
Engolir de cabeça pra baixo não era fácil.
Olhei pro lado, praquele idiota que me chamou de garotinha e estava igualzinho, pendurado, sugando do barril.
O desafio acendeu nas minhas veias! Ninguém vai me vencer hoje!
Os olhos vermelhos dele encararam os meus.
Eu sabia que ele estava prestes a vomitar e eu também, então tirei o tubinho fino de metal da minha boca com algumas ânsias, bem na cara dele.
—Porra, garota, não cospe! Imagina que é o suco de quem você sabe e engole, nham, nham, aposto que você gosta muito!
Fuzilei William com os olhos, vendo ele de cabeça pra baixo.
Como eu ia imaginar que aquilo era o sêmen do Kaden?!
—Maluco do caralho… —resmunguei, e continuei sugando, mas aquele gordo não aguentou quase levar meu vômito na cara.
Vi ele ficar vermelho, prestes a explodir.
—Bebe, bebe, só faltam mais uns golinhos! —gritaram pra mim e, merda, eu realmente imaginei que era o pau daquele lycan gostoso.
Com a alma e a gorfa subindo pela minha garganta, consegui descer o enorme tubo de vidro, de vários litros.
Quando eu suguei só ar e ouvi o estrondo, eu soube que era a vencedora.
—EU GANHEI, VADIAS! —gritei levantando os braços… ou melhor, abaixando os braços, porque eu estava de cabeça pra baixo.
O alvoroço explodiu na sala, a maioria protestando porque ninguém queria me dar como vencedora.
—BUUAAA! —de repente, ao meu lado, ouviu-se o som grotesco do vômito saindo sob pressão.
Aquele pobre mago botou pra fora até o que não tinha comido e espirrou em todos os comparsas na frente dele.
E, por sinal, eles também tinham tirado sarro de mim. Eu comecei a rir enquanto o mundo girava.
Meus pés afrouxaram e eu gritei quando me vi caindo no chão, mas William me segurou e, me levando nos braços, me sentou num canto do balcão.
—Você é minha Serafina da sorte! —ele exclamou, me puxando pra perto entre as pernas dele e beijando minhas bochechas.
Ele balançou uma bolsa pesada de dinheiro na frente do meu rosto, com um sorriso triunfante.
Ao meu redor, todo tipo de gente de procedência duvidosa fazia joinha pra mim ou me elogiava por eu ser uma garota durona.
—Me liga na próxima aposta —pisquei pra um moreno engraçado que passava, acho que um vampiro, e ainda mandei um beijo.
Um rosnado do William fez o cara dar um passo pra trás e se afastar.
—Ei, que grosseiro! —dei um tapinha no ombro dele.

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