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Como Conquistar um Príncipe Lycan romance Capítulo 90

KADEN

Eu lutava uma batalha comigo mesmo, uma que eu nunca tinha vencido, uma que parecia mais violenta do que nunca.

Com a minha consciência presa num turbilhão de escuridão, eu só sentia a adrenalina da caça, da perseguição e o cheiro do medo extremo.

Saltei, corri, me enfiei no frio da noite, esmagava as folhas e ouvia o sussurro da floresta, meu lycan brincava um pouco mais com a presa dele.

Eu perdia a conexão com Ash, era isso que acontecia nesses casos, a gente não conseguia se sincronizar e os instintos selvagens tomavam o controle.

Então um grito entrou nos meus ouvidos e o cheiro de sangue fresco invadiu minhas narinas.

Eu enlouqueci de impotência, era como daquela vez… exatamente como na noite em que eu assassinei Isolde.

Mesmo assim, no meio da loucura, uma luz devastadora iluminou os olhos da besta e atravessou a névoa na minha mente.

O rugido do lycan se ergueu ao céu e eu consegui retomar o controle por um instante.

A criatura enorme congelou quando eu vi o que tinha sob as minhas garras.

Era Savannah, apavorada, mas brilhando com aquelas ondas de energia que só podiam pertencer a uma Serafina… e uma bem poderosa.

O peito e o braço direito dela tinham feridas de garras, e ela chorava enquanto gritava e lançava o poder dela bem na minha cara.

Eu não esperei a chuva da magia dela se esgotar e forcei a transformação, chamando Ash, que enfim conseguiu andar junto com os meus desejos.

Caí ofegante no chão da floresta, de quatro, nu, com gotas de suor escorrendo pelos meus músculos doloridos.

Mesmo assim, eu tinha conseguido me controlar.

—Savannah! —gritei, me arrastando até ela, que estava caída na grama.

—Não, não... maldição! —berrei, com raiva por ter machucado ela.

Era assim que ela devia estar de medo quando forçou aquele selo horrível nas costas.

O selo maldito!

Eu a embalei nos meus braços, conferindo se a perda de sangue não era grande demais, e a virei um pouco para ver as costas dela.

Ela estava quase nua, só com um roupão. Pelo estrago nas pernas, parece que ela pulou da varanda para fugir do meu ataque.

—Nena, pela Deusa… —eu temia encontrar o pior.

Se aquela bruxa, que dava pra ver que era poderosa, não conseguiu tirar o selo tão fácil, eu não acho que aquilo tenha sumido assim, do nada.

Só que, quando eu arranquei o roupão e expus as costas dela pros meus olhos, eu fiquei assombrado.

“Não era pra os padrões aparecerem quando ela tentasse usar o poder…?”

Ash fez a mesma pergunta que eu.

Eu ainda passei, como um idiota, a mão pela pele perfeita, nada das imperfeições ou das pequenas rugosidades que ela tinha… a Savannah que eu tinha conhecido antes.

“Será que ela quebrou a restrição ao liberar o poder de Serafina?… Era tão fácil assim? Então, por que da outra vez, quando a gente quase matou ela, não se libertou?”

Ash me fazia uma pergunta atrás da outra, e eu não tinha resposta pra nenhuma.

A cada segundo, a ideia de que aquela mulher não era a minha Savannah se enfiava com mais força na minha mente.

Eu a virei de novo e fiquei observando o rosto pálido dela, procurando diferenças, lembrando cada pinta, cada detalhe.

Minha mente, ainda entupida de caos, continuava preocupada com os ferimentos que eu tinha feito nela.

Levantei a cabeça, me localizando onde a gente estava, pra onde ela tinha corrido fugindo de mim.

“Tenho uma ideia bem maluca, Kaden… por que a gente não leva ela pra cabana da feiticeira?”

A ideia de Ash me interessou.

“Talvez, se a gente tiver sorte e aquela mulher estiver lá, ela consiga reconhecer… a Savannah.”

Eu não pensei muito pra me decidir.

Carregando ela com cuidado, eu me movi pela escuridão, com passos leves, e avancei amparado pela noite.

Algumas patrulhas da Academia passaram perto, lobos correndo, mas ao sentir meu cheiro intimidador seguiram adiante, me reconhecendo.

Assim saímos da área dos homens lobo e eu me aproximei daquela zona em território de ninguém.

A cabana apareceu na clareira, as luzes estavam apagadas.

Enquanto eu me aproximava, lembrei que eu estava pelado e talvez eu matasse aquela velha solteirona do coração.

Eu também corria o risco de as minhas coisinhas serem esmagadas pelo quebra-nozes dela.

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