“Max Whitmore”
Quando entramos no apartamento da Giulia, fico impressionado com o quanto o espaço reflete a personalidade dela.
Cores vibrantes, plantas em todos os cantos, paredes com quadros abstratos e tecidos espalhados por uma mesa de trabalho improvisada na sala.
Me viro para encará-la e a encontro colocando os girassóis num jarro com água. Preciso me lembrar de agradecer à Liz pela dica.
— Quer alguma coisa para beber? — ela pergunta, quando termina. — Tenho vinho, café, água…
— Pode ser um vinho — respondo, ainda observando o ambiente. Quando ela volta, não resisto a comentar: — Seu apartamento é… exatamente como imaginei.
— Como assim? — pergunta, abrindo uma garrafa de vinho tinto.
— Caótico, mas organizado. Colorido. Cheio de vida — explico, aceitando a taça que ela me oferece. — Igual a você.
Ela franze as sobrancelhas, tentando esconder um sorriso debochado.
— Não começa com elogios — avisa, se sentando na poltrona em frente ao sofá onde me acomodei. — Ainda estou decidindo se te escuto ou te expulso.
— Entendido — digo, tomando um gole do vinho. — Posso tentar me explicar?
— Pode — ela responde, cruzando as pernas e me encarando com total atenção.
Respiro fundo. Ela finalmente me deu uma chance. Preciso ser convincente.
— Primeiro, sobre o jantar — começo. — Giulia, eu não planejei te manipular.
— Mas foi exatamente o que aconteceu — ela rebate, arqueando uma sobrancelha.
— Eu sei, mas… o Ettore me pediu para descobrir o que aconteceu três anos atrás — confesso. — E eu sabia que você tinha respostas. Então, sim, me aproximei com essa intenção.
— E o resto? As provocações, o charme, os elogios?
— Isso foi real — respondo na hora. — Quando comecei a conversar com você naquela noite, percebi que estava completamente errado sobre quem você era.
— Como assim?
— Achei que fosse só mais uma mulher bonita — explico. — Alguém com quem eu poderia passar algumas horas agradáveis e depois esquecer.
— Que romântico — comenta, sarcástica.
— Ridículo, eu sei. Mas aí descobri uma mulher inteligente, engraçada, apaixonada pelos próprios sonhos. Alguém que se importa tanto com quem ama, que me odiou só pela possibilidade de machucar a melhor amiga.
Finalmente, vejo a expressão dela suavizar, e isso me acalma um pouco.
— Quando percebi que estava realmente interessado em você, tentei fazer a coisa certa — continuo. — Tentei parar com as perguntas, focar só em te conhecer melhor.
— Mas não parou.
— Não — admito. — E é aí que fui um babaca completo. Porque deixei minha lealdade ao Ettore falar mais alto que o que eu sentia por você.
Giulia fica em silêncio por alguns segundos, girando o vinho na taça.
— Por que eu deveria acreditar em você dessa vez? — pergunta, finalmente. — Como sei que isso não é só mais uma tentativa de me manipular?
— Porque, se fosse, eu teria inventado uma história melhor — respondo, arrancando um pequeno sorriso dela. — Uma que não me fizesse parecer um idiota egoísta.
— Você é um idiota egoísta — ela confirma, mas o tom já não é tão agressivo.

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