Acordo com uma sensação de alívio misturada ao nervosismo que, nas últimas semanas, virou meu companheiro inseparável.
Alívio por conseguir chegar a tempo ontem. Se não tivesse voltado, Lorena teria jogado todo o meu trabalho no lixo…
Considerando que eu realmente não tinha feito uma cópia de segurança. Mas prefiro não pensar no que poderia ter acontecido.
O nervosismo, bem… esse é pelo dia de hoje: o lançamento da minha primeira coleção completa.
— Está sentindo esse cheiro? — meu marido pergunta, aparecendo na porta do banheiro já vestido e pronto.
— Que cheiro? — pergunto, finalizando a maquiagem.
— O cheiro do sucesso — ele sorri, me abraçando por trás.
— Muito engraçado — murmuro, mas não consigo evitar sorrir.
— Está nervosa? — pergunta, observando meu reflexo no espelho.
— Muito! Mas é um nervosismo bom. Acho.
— É sim. Vai dar tudo certo — ele beija meu pescoço antes de se afastar. — Vamos? A estrela não pode se atrasar.
— Vamos, amore mio.
No caminho para a empresa, tento me concentrar na respiração, mas meu estômago está revirado de ansiedade.
Assim que chegamos, preciso sair correndo do carro para vomitar na primeira lixeira que encontro.
— Piccola! — Ettore vem correndo atrás de mim. — Está bem?
— Estou — respiro fundo, limpando a boca. — É só nervosismo.
— Tem certeza?
— Absoluta — minto, porque não tenho tempo para estar doente hoje. — Não se preocupe.
Meu marido me encara, claramente preocupado, mas me viro e sigo para o elevador antes que ele volte a questionar.
Ao entrarmos no saguão, meu estômago dá outra volta ao ver o movimento. Jornalistas especializados, compradores, influenciadores… todos aqui para ver minha coleção.
— Vai ficar tudo bem — sussurro para mim mesma, entrando no elevador.
— Claro que vai — meu marido diz, acariciando meus dedos. — Confie no seu talento, Piccola.
— Te amo — sussurro, agradecida.
— Também te amo — responde, beijando minha testa, pouco antes de as portas se abrirem no meu andar. — Até daqui a pouco.
Assinto e finalmente saio do elevador. Caminho pelos corredores cumprimentando a equipe, que parece tão animada quanto eu estou nervosa.
Ao chegar na minha sala, encontro flores sobre a mesa.
Rosas-brancas com um cartão: “Para a designer mais talentosa que conheço. Com amor, Ettore.”
Sorrio, relaxando pela primeira vez naquela manhã.
Respiro fundo e me sento para começar a verificar tudo. Pouco depois, Giulia aparece na porta, ofegante.
— Nossa, quase perdi a hora! — ela resmunga, largando a bolsa sobre a cadeira. — Como está se sentindo?
— Bem… — respondo, sem tirar os olhos do computador. — Nervosa, enjoada. E aliviada, de certa forma. Você não vai acreditar no que aconteceu ontem…
Giulia se aproxima rapidamente, visivelmente curiosa.

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