Lorena Cavalli, uma das designers sêniores do departamento, abre e fecha a boca umas três vezes, mas nenhuma palavra sai. Suas mãos tremem enquanto se afastam do meu computador.
— Liz! — exclama, tentando forçar um sorriso. — Que susto! Não esperava que você voltasse.
— Claro — respondo, entrando na sala e fechando a porta atrás de mim. — Agora responde: o que está fazendo na minha sala, mexendo no meu computador?
— Eu não estava mexendo — ela nega rapidamente, mas suas bochechas ficam vermelhas. — Só… só estava verificando se você havia deixado tudo salvo para amanhã.
— Verificando? — repito, incrédula. — Lorena, você é designer sênior, não minha assistente. E mesmo que fosse, não teria autorização para mexer nos meus arquivos.
— Eu sei! — balbucia, passando a mão pelos cabelos. — Foi só… preocupação. Amanhã é um dia importante para todo o departamento, e eu queria ter certeza…
— Ter certeza de quê? — pergunto, me aproximando do computador. — Do que exatamente você estava tentando verificar?
Lorena abre e fecha a boca novamente, claramente tentando inventar uma explicação plausível.
— Eu… — hesita, desviando o olhar. — Não posso explicar.
— Como assim, não pode explicar? Você invade minha sala, mexe nas minhas coisas… e não pode explicar?
— É complicado, Liz.
— Então descomplique — exijo, cruzando os braços. — Porque a única explicação que vejo é que você estava tentando sabotar meu trabalho. De novo.
Os olhos de Lorena se arregalam.
— De novo? Do que você está falando?
— Do projeto Takeshita — respondo, observando sua reação. — Alguém sabotou meus desenhos na véspera da apresentação. E agora você aparece aqui, na véspera do lançamento da minha coleção, mexendo no meu computador.
— Não! Eu… — ela rebate rapidamente, mas para quando ouvimos passos no corredor.
A porta se abre, e Ettore entra, claramente preocupado.
— Piccola, você esqueceu seu… — ele para ao ver Lorena. — O que está acontecendo aqui?
— Encontrei a Lorena mexendo no meu computador — explico, sem tirar os olhos dela. — E descobri quem sabotou o projeto Takeshita.
— Eu… eu não queria… — ela gagueja, as lágrimas começando a se formar nos olhos.
— Você não queria o quê? — Ettore pergunta, se aproximando. — Ser pega?
— Lorena, foi você mesmo, não foi? — questiono, tentando controlar minha voz. — Você estragou meus desenhos do projeto Takeshita?
Lorena desaba na cadeira, finalmente cedendo.
— Sim — sussurra. — Fui eu.
Engulo em seco, sentindo meu estômago embrulhar. Mesmo com sua reação entregando a culpa, ouvir a confirmação me dói.
— Por quê? — pergunto, confusa. — O que eu fiz para você?
— Nada — responde, limpando as lágrimas. — Você não fez nada. Eu… eu recebi uma proposta.
— Que tipo de proposta? — meu marido pergunta, a voz perigosamente baixa.
— Ela me ofereceu dinheiro para… atrapalhar o projeto — Lorena admite, apontando para mim. — Disse que era só para a Liz passar vergonha, que não seria nada muito sério.
— Ela quem? — Ettore e eu perguntamos ao mesmo tempo.

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