Isabella continua em pé atrás da mesa, mas agora… parece outra pessoa. A arrogância habitual foi substituída por algo que reconheço.
Cansaço. O tipo de cansaço que vem de carregar um peso que nunca deveria ter sido seu.
— Todos temos escolhas, Isabella — digo, me aproximando. — O que muda são as consequências.
— É fácil dizer isso — rebate, finalmente me encarando. — Pelo visto, você nunca precisou fazer o que mandavam.
Ela solta uma risada amarga e balança a cabeça.
— Você escolheu sua carreira, escolheu com quem se casar, escolheu seu próprio caminho — continua, agora em um tom mais baixo. — Eu nunca pude escolher nada. Nem meus próprios sentimentos.
— Isabella, do que você está falando? — pergunto, tentando entender onde ela quer chegar.
— Esquece — murmura, passando a mão pelos cabelos. — Você não entenderia mesmo.
— Tenta me explicar — insisto, sentindo que tem mais coisa aí do que ela quer deixar transparecer. — O que quer dizer com “nunca ter tido escolha”?
Isabella me observa por alguns segundos, como se estivesse pesando cada palavra.
— Minha vida inteira foi decidida por outras pessoas — diz, por fim. — Onde estudar, que carreira seguir, com quem me relacionar… nunca foi sobre o que eu queria.
Sinto um aperto no peito. Há algo naquela vulnerabilidade que me acerta de um jeito estranho. Familiar.
— Até meus sentimentos foram definidos por eles — continua, a voz falhando um pouco. — “Isabella, você precisa se casar com Ettore.” “Isabella, é assim que tem que ser.” “É para o bem da família.”
Fico em silêncio, tentando processar. Parte de mim se pergunta se é uma tentativa de manipulação. Ganhar minha empatia e desviar o foco das suspeitas.
Mas… e se não for?
— Eu entendo mais do que você imagina — digo, parando ao lado dela. — Sei o que é sacrificar suas vontades por causa de expectativas que nem foram suas.
— Não é a mesma coisa.
— Não? — arqueio uma sobrancelha. — Você acha que foi fácil para mim? Que foi escolha minha abrir mão do homem que amava?
Isabella me encara, surpresa.
— Sei o que é ser forçada a tomar decisões que vão contra tudo que você quer — continuo. — Sei o que é fingir que não ama alguém para protegê-lo. Sei o que é carregar mentiras por anos para não machucar outras pessoas.
— Mas você conseguiu dar a volta por cima — sussurra. — No final, olha como você está. Você casou com quem ama.
— Porque em algum momento eu percebi que me deixar de lado seria meu maior arrependimento — respondo. — Sacrificar minha felicidade não estava protegendo ninguém… só estava me destruindo.
Isabella permanece em silêncio, absorvendo cada palavra.
— E você sabe disso também — acrescento, tocando levemente o braço dela. — Se deixar de lado pode ser o nosso maior erro. Viver a vida que os outros planejaram para você nunca vai te fazer feliz.
— É complicado — ela murmura. — Muito mais do que você imagina.
— Eu sei — digo com sinceridade. — Mas se isso está te consumindo desse jeito… talvez seja hora de parar de se sacrificar pelos outros e começar a descobrir o que você realmente quer. Você. Não o que esperam de você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário