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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 12

Lúcia Mendes

A porta se fechou atrás dele com um clique suave demais para a raiva que eu sentia. Fiquei ali sentada, braços cruzados, tentando não ter um chilique digno de vídeo viral no TikTok.

Assistente. Ele era meu assistente. Ontem à noite ele vendia sorrisos e outras coisas bem mais caras e hoje estava aqui, de gravata bem passada e crachá reluzente, dizendo "Senhorita Mendes" como se fosse o príncipe encantado corporativo. Ah, por favor.

Eu bati a caneta na mesa, tentando não arremessá-la na parede. Que piada. Que piada gigantesca. Ele devia achar que aquele rostinho bonito ia substituir planilhas ou estratégia. Provavelmente se considerava o contato mais valioso da empresa. Claro, devia ter alguém importante pagando o favor.

"Assistente de diretoria..." murmurei, revirando os olhos. "Vai acabar atrapalhando mais do que ajudando."

Suspirei, massageando as têmporas. Eu precisava organizar tudo, fazer uma boa impressão pro David Jones, mostrar que eu merecia o cargo. Mas não, eu tinha que lidar com o Nate. Aquele charme irritante, aquele sorriso torto que parecia perguntar "vai resistir mesmo?" Ele achava que podia resolver tudo com uma piscadinha e um beijo roubado.

Fechei os olhos, respirando fundo.

"Foco, Lúcia. Você é a diretora. Você manda."

Peguei os papéis, reorganizando com cuidado exagerado. Tentei ler. Não entendi nada. Meu cérebro só conseguia repetir "Acompanhante ontem. Assistente hoje. Sério mesmo?".

Me imaginei explicando isso para qualquer pessoa. "Ah, sim, claro! Meu assistente de confiança? Ontem ele me cobrou por hora."

Quase ri. Mas o riso morreu na garganta, virando puro nojo.

Eu não podia me dar ao luxo de perder o controle. Não ali.

Quando meu celular vibrou, dei um pulo.

"Merda..."

Atendi sem nem olhar o visor, ainda mexida.

"Alô..."

A voz séria do outro lado me cortou como uma lâmina.

"Senhorita Mendes? Aqui é do Hospital Santa Martha."

Meu estômago retorceu.

"O quê? O que aconteceu? É minha mãe?"

"Ela passou mal agora pouco. Chegou com tonturas e pressão muito baixa. Estamos estabilizando, mas achamos melhor avisar a senhora."

A caneta escorregou da minha mão.

"Ela está consciente? Eu posso falar com ela?"

"Está, mas muito fraca. Vamos aguardar exames para descartar complicações maiores."

Minha garganta fechou.

"Por favor, cuidem bem dela. Ela é diabética tipo 1, já teve crises severas de hipoglicemia e complicações renais. Eu estou indo agora."

"Fique tranquila. Ela está estável no momento. Venha quando puder."

A ligação terminou com um bip seco que pareceu zombar de mim.

Minha mãe.

A mão que segurava o celular tremia.

Fechei os olhos com força, puxando o ar para dentro dos pulmões. Uma. Duas. Três vezes.

Levantei devagar, empurrando a cadeira para trás. O barulho ecoou alto demais.

Comecei a catar os papéis, enfiando de qualquer jeito na pasta.

Eu precisava sair dali. Agora.

Minha cabeça fervilhava num turbilhão caótico de perguntas que eu não conseguia calar: E se fosse hoje? E se tudo desmoronasse de vez? E se esses fossem os últimos suspiros dela?

A garganta ardia só de imaginar. O que eu faria se minha mãe se fosse? Como eu continuaria respirando, trabalhando, fingindo normalidade? A simples ideia me esmagava por dentro, como se me arrancasse o ar.

A outra mão tateou a bolsa até encontrá-la. Joguei no ombro.

Me virei para a porta.

Foi quando ela se abriu e Nate entrou.

Parou no batente, com aquele andar preguiçoso e aquela sobrancelha arqueada em falsa inocência.

Eu congelei.

Ele estreitou os olhos, reparando na minha pressa.

"Onde você vai?"

Ignorei.

Apertei o passo.

"Lúcia." A voz dele ficou mais firme. "Aonde você pensa que vai?"

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