Lúcia Mendes
Eu encarei o Nate sem desviar. O peito subia e descia rápido demais, mas eu forcei a voz a sair firme.
"Não tem nada."
Ele arqueou uma sobrancelha.
"Não parece."
Revirei os olhos e dei de ombros.
"Não se preocupe com isso. Eu sei como lidar com ele, Nate."
Antes que ele retrucasse, David Jones voltou, batendo o dedo no relógio.
"Vamos? Tenho mais o que fazer hoje e ainda preciso passar algumas situações para vocês."
Suspirei e fui atrás. Nate caminhava tão perto que eu podia sentir o calor dele me pressionando pelas costas.
David apertou o botão e falou, quase como um aviso:
"Esse elevador é exclusivo pra cobertura. Não quero outros funcionários subindo sem motivo. Odeio corredor lotado, gente espiando. Prefiro isolamento."
Cruzei os braços, incomodada.
"Gostava mais da minha sala antiga."
Antes que ele respondesse, Nate abriu a boca, venenoso:
"É porque era mais perto do seu ex?"
Eu congelei.
Arregalei os olhos e virei bruscamente, pisando com força no pé dele.
"Ai, caralho!"
"Senhor Jones," falei com falsa doçura, "já posso demiti-lo?"
Vi um divertimento em David, que não entendia.
"Nate, controle a língua dentro da boca. Sua chefe pode te suspender, não esqueça."
"Você viu que sofri uma agressão, não viu?" Nate reclamou, ainda sacudindo o pé.
"É só não me provocar," rosnei, me virando de volta pro painel.
"Só estava curioso. Mas sua resposta parece ser bem direta."
"Não tire conclusões precipitadas, assistente." o olhar dele brilhou.
O resto do caminho foi um silêncio constrangido, quebrado só pelo suspiro entediado de David.
Assim que as portas se abriram, ele nos guiou até o corredor.
"Antes que eu esqueça," ele disse, parando na recepção, "essa é a Teresa. Deveria tê-la apresentado antes a você, senhorita Mendes."
A mulher me cumprimentou com um sorriso contido.
"Ela veio da minha outra empresa. Confio nela. Se precisarem de algo, é só pedir."
"Obrigada," falei, sorrindo para a mulher, que parecia tímida demais.
Nate só acenou com a cabeça.
David girou nos calcanhares e seguiu até uma porta dupla de vidro fosco.
"É aqui. O nosso mais novo departamento de Relações Públicas. Ele tem tudo que vocês precisam, mas se faltar algo é só me dizer. Quero vocês bem perto da minha sala. Assim nada passará despercebido."
Ele empurrou a porta e indicou com a mão.
"Entrem."
Eu entrei primeiro, sentindo o ar gelado do ar-condicionado me arrepiar os braços. Nate veio logo atrás.
David segurou a porta com um sorriso de canto.
"Divirtam-se. Mas não muito."
E fechou, nos deixando sozinhos.
Soltei o ar com força. Dei três passos e parei no centro da sala.
Era espaçosa. Clara. Vidro, aço, luxo moderno.
Mas o cheiro dele, colônia amadeirada misturada com sarcasmo, também entrou junto.
Então caminhei até a mesa e puxei a cadeira com força e me sentei. Aquele era o meu lugar agora.
Ele se largou na poltrona em frente como se estivesse em casa, os braços apoiados de forma arrogante, o celular jogado no tampo de vidro.
“Então, chefe,” ele começou com aquele maldito sorriso torto. “O que quer que eu faça primeiro?”
Encarei ele de cima abaixo.
“Primeiro: senta direito.”
Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso.
“Segundo: você vai parar com essas piadinhas.” Cruzei os braços, firme. “Aqui dentro você é meu assistente, não meu... passatempo de uma noite.”
O sorriso dele vacilou, mas não sumiu.
“Passatempo de uma noite? Uau, diretora, pensei que tinha sido mais memorável.”
Revirei os olhos.
“Você quer esse emprego ou não?”
Ele inclinou o tronco pra frente, os cotovelos nos joelhos.
“Claro. Por isso estou esperando ordens.”

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