Lúcia Mendes
O táxi parou com um solavanco seco em frente ao Hospital Santa Martha. Paguei com a mão trêmula, sem sequer conferir o troco, e quase tropecei no meio-fio quando desci.
Empurrei a porta de vidro com força demais, sentindo o ar gelado do saguão me acertar.
Na recepção, uma mulher de jaleco claro me olhou por cima dos óculos.
"Boa tarde."
"Boa tarde!" falei, sem ar. "Ligaram pra mim! Minha mãe foi internada mais hoje cedo! Ela tá sozinha aqui! Preciso saber como ela está."
A recepcionista nem se abalou. Virou o monitor com calma irritante.
"Nome da paciente?"
"Maria Mendes."
Digitou com a lentidão de quem tinha o dia todo.
Eu quase gritei: "Ela tem idade! É doente! Tem diabetes! Por favor!"
Finalmente a mulher ergueu os olhos.
"Ela está na ala clínica. Alguém vai vir buscá-la. Pode sentar e aguardar."
"Aguardar?"
Ela apenas apontou as cadeiras.
Engoli o palavrão. Caminhei até elas, sentindo meu peito inflar com todo o temor que eu estava guardando desde o telefonema. Não consegui sentar. Dei duas voltas. Três. Meu peito ardia, as mãos tremiam.
Minha cabeça estava uma bagunça.
E se fosse grave? E se ela tivesse desmaiado? E se não tivesse ninguém ali com ela?
Eu respirava como quem tinha corrido uma maratona.
Uma enfermeira surgiu no corredor e chamou num tom alto:
"Familiar da senhora Maria Mendes?"
Corri até ela antes mesmo de terminar a frase.
"Sou eu! Sou a filha! Como ela tá? Eu posso ver? Aconteceu mais alguma coisa? Por favor, me fala alguma coisa..."
A enfermeira ergueu as mãos num gesto de calma.
"Ela está bem, senhora. Já estabilizamos. O médico vai explicar melhor, mas pode me acompanhar até o quarto."
Suspirei com força, quase chorando ali mesmo.
Segui a enfermeira num passo apressado até um corredor claro demais. O cheiro de desinfetante me enjoava.
Quando chegamos na porta, ela abriu e eu me lancei lá dentro.
Minha mãe estava na cama, tão pequena. Pálida. Um soro pendurado, o cateter no braço frágil.
"Mãezinha!" Corri até ela, segurando a mão fria. "Por que não me ligou? Por que veio sozinha pro hospital? Eu já falei mil vezes, você pode me ligar sempre! Eu corro pra casa!"
Ela apertou minha mão, sorrindo fraco.
"Eu não queria incomodar."
"Incomodar? Você NUNCA incomoda. Eu tô aqui pra isso! Pra cuidar de você! Aí mãe, eu fico tão preocupada quando a senhora age assim."
Ela suspirou, o olhar marejado.
"Eu tô bem agora, filha. O médico disse que logo tenho alta. Pode ir pra casa. Vai trabalhar."
"Nem pensar!" falei firme. "Eu só saio daqui com você. Se você ficar, eu fico."
Ela revirou os olhos como uma adolescente teimosa.
"Misericórdia, que mandona."
Quase ri, mesmo com o choro preso na garganta.
Foi quando a porta se abriu e o médico entrou.
Me virei tão rápido que quase me enrosquei no suporte de soro, tropeçando espetacularmente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratando um CEO como Acompanhante