Lúcia Mendes
Senti um toque leve no ombro. Um sacudir cuidadoso, mas insistente.
Minha mente resistiu por um instante antes de emergir do sono pesado.
Abri os olhos num sobressalto. O teto era estranho. As sombras, diferentes. O sofá embaixo de mim, definitivamente não era meu.
Meu coração disparou. Virei o rosto para o lado e dei de cara com ele.
Nate estava agachado ao lado do sofá, uma das mãos ainda no meu braço. Me observava com atenção demais para o meu gosto.
"Ei," ele disse com a voz baixa, mas firme. "Acorda. Já está na hora."
Me endireitei num pulo, o peito subindo e descendo rápido. O tecido que estava sobre meu corpo escorregou e quase caiu no chão.
"Que horas são?!" minha voz saiu mais alta do que eu queria, com um tom histérico que me envergonhou na hora.
Ele ergueu uma sobrancelha, lutando contra um sorriso.
"São 17:40. Você ainda tem uns vinte minutos antes do expediente acabar."
"Merda," resmunguei, tentando me levantar rápido demais. Me enrosquei no tecido, que percebi ser o blazer dele, tropecei no tapete do maldito sofá e senti meu corpo pender pra frente.
Eu tinha certeza que ia acabar com a cara no chão, mas as mãos dele foram rápidas. Nate agarrou meus braços, me segurando firme antes que o impacto chamasse a atenção de Teresa e David.
Ficamos próximos demais. O ar pareceu sumir por um instante.
Senti o calor dele me segurando, os dedos firmes demais no meu braço.
Ergui os olhos e encontrei os dele. Escuros. Intensos. Por um segundo ele não disse nada.
Até soltar um suspiro e um riso baixo, quase irônico.
"Calma, chaveirinho. Você vai se matar desse jeito."
Minha boca se abriu e fechou como um peixe fora d’água. Forcei o corpo para trás, me desvencilhando dele e tentando ajeitar o cabelo desgrenhado.
"Chaveirinho?" olhei para ele sem entender.
"Apelido carinhoso, que eu pensei para a minha chefinha." bufei, tentando não dar atenção.
"O que falamos sobre isso? Você não pode..."
"Eu sei ... eu sei. Não era pra você saber sobre isso. Apenas escapou." revirei os olhos, me lembrando do real motivo pela minha raiva.
"Você não podia ter me deixado dormir tanto!" falei irritada e arrasada.
Ele se abaixou pegando o blazer e o alisando e o jogando sobre o ombro.
"Você precisava."
"Quem disse?" rebati.
Peguei o celular com mãos trêmulas. A tela acendeu.
5:41.
E uma notificação.
Abri a mensagem da minha mãe.
"Está tudo bem por aqui. Não precisa se preocupar. Se cuide também, filha."
O alívio veio pesado, quase me derrubando de novo. Fechei os olhos por um instante e inspirei fundo.
"Graças a Deus..." sussurrei.
Nate não disse nada, mas inclinou a cabeça levemente, o olhar curioso demais para disfarçar. Os olhos dele deslizaram para o meu celular, como se tentasse ler a mensagem por cima do meu ombro, mesmo sem ter esse direito.
"Ei?!" Apaguei a telo o encarando.

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