Lúcia Mendes
Por um breve instante, ele pareceu perder o ar.
Ficou sem graça. Coisa rara de se ver no Nate.
"Não que eu esteja dizendo que você não tenha recursos," acrescentei, cruzando os braços. "Pelo valor que você cobra por poucas horas... é claro que você teria algo tão caro assim."
Ele riu. Um pouco sem jeito, um pouco debochado. Depois balançou a cabeça.
"Na verdade, o carro é do Jones. Ele pediu pra eu cuidar por uns dias."
"Aham." Ergui a sobrancelha, desconfiada.
"Estou falando sério, Lúcia. Você já viu quanto custa manter uma belezinha dessas? Seguro, imposto, manutenção... Acho que nem se eu vendesse meu corpinho em turnos dobrados todas as noites eu conseguiria bancar esse carro com salário de assistente."
Não aguentei.
A gargalhada escapou antes que eu pudesse segurar, e logo estávamos os dois rindo como bobos. Minha barriga doía, e por um instante, tudo o que tinha acontecido naquela noite pareceu mais leve.
"É, se for pensar dessa forma..."
"Jones disse que o carro tava fazendo um barulho estranho, que era pra eu gravar se começasse de novo. Coisa de rico paranoico, sabe?"
Continuei encarando, ainda desconfiada. Mas de verdade, eu não sabia até que ponto ia essa amizade dele com nosso chefe.
Ele deu a volta no carro com aquele andar despreocupado e abriu a porta do passageiro, se virando pra mim com um sorriso provocante.
"Entra, Lúcia. Para de pensar demais."
"Pensar demais é meu maior talento."
"Ah, não diga."
Respirei fundo e entrei.
Me sentei no banco e olhei em volta. O couro, o painel, o cheiro. Tudo era... intimidador e caro demais.
"Esse não é o carro da noite passada? Se não me engano, eu vi você entrando nele, quando entrei no uber."
Vi os olhos dele travarem por um segundo. Só um segundo. Mas suficiente.
"É... é sim. Mas é que... na festa, o Jones me chamou pra voltar a trabalhar com ele. Pediu pra eu levar o carro de volta. Foi tudo meio rápido, sabe?"
"Entendi." Cruzei os braços. Não disse mais nada.
Ele ligou o carro e começou a dirigir.
"Tem certeza que não quer ir comigo a um barzinho? Só pra encerrar o dia com algo menos... estressante?"
"Para de ser insistente, Nate. Já rimos bastante, isso já tirou toda a tensão. Você que está voltando em um assunto que eu já até tinha esquecido."
Ele riu.
"Você ainda nem me passou o seu endereço."
"Rua Via Lirium, número 77."
Ele assentiu.
"É um pouco afastado daqui..."
"É onde eu cresci. Minha mãe ama aquela casa. E... eu também, então prefiro me manter onde minhas raízes estão."
Ele pensou sobre aquilo por um segundo e depois questionou.
"Você mora com sua mãe?"
A pergunta me pegou de surpresa. Fiquei tensa por um instante, mas respondi:

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