Nathaniel Donovan
Lúcia entrou furiosa, sem nem olhar pra trás.
E eu... sorri.
Era errado deixá-la acreditar que Eliza era minha namorada? Provavelmente.
Mas a forma como ela reagiu? Aquilo valeu cada segundo.
No fundo, eu sabia que estava forçando os limites. Só que havia algo em Lúcia que despertava o pior e o melhor em mim. E, sinceramente? Eu não estava pronto pra jogar limpo. Não ainda.
Não era o momento de contar tudo. A verdade exigia mais do que coragem… exigia timing. E agora não era a hora.
Se eu dissesse a verdade, teria que explicar que a babá provavelmente já tinha colocado Eliza pra dormir, e que mesmo que eu quisesse, a noite terminaria exatamente assim: com Eliza dormindo, pois eu tinha algo mais sério para resolver.
Peguei o celular e disquei direto.
"Fala, onde você tá?" perguntei, já ligando o motor.
"Aqui em casa, por quê?" a voz de David Jones veio abafada, como quem não queria papo.
"Porque eu tô indo pra aí."
"Ah, não. Nate, agora não. Eu não tô com cabeça pra falar de trabalho."
"Acho que você vai querer saber, sim, antes de chegar na empresa e se deparar com o assunto."
"Ah, merda. O que você aprontou dessa vez?"
Desliguei antes que ele tentasse questionar mais. Pisei no acelerador e cortei a cidade como se estivesse em missão. Porque, de fato, estava.
A casa de Jones ficava algumas quadras depois da minha. Uma mansão moderna, cercada de vidro e concreto, com portões automatizados e um gosto questionável por esculturas pretensiosas.
Estacionei o carro na frente e fui até a porta.
Ela se abriu antes mesmo de eu bater.
Jones me encarou com cara de poucos amigos, já com um copo de uísque na mão, me oferecendo, mas neguei.
"Nate, quando você vai parar de fazer coisas impensadas?" perguntou, sem rodeios.
"Relaxa. Essa é por uma boa causa." Entrei sem cerimônia, tirando o celular do bolso.
"Se for mais uma daquelas suas cruzadas de justiceiro secreto, eu juro por Deus que..."
"Assiste isso."
Entreguei o celular.
Era a gravação. Tudo. Eduardo encurralando Lúcia, o grito dela, o meu soco. Cada detalhe registrado pelo sistema interno da sala. Só precisei digitar um código no tablet da empresa pra puxar o backup. Eu sabia que um dia essa segurança extra ia servir pra alguma coisa.
David ficou em silêncio o tempo inteiro.

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