Lúcia Mendes
Ainda estava ofegante.
O corpo colado ao dele, os batimentos descompassados, e a sensação quente e profunda de tê-lo dentro de mim. Havia algo de absurdo naquela quietude, naquele instante de entrega completa. Como se o mundo lá fora tivesse sido pausado para que só nós existíssemos ali.
Foi quando a campainha tocou.
Me afastei dele com um suspiro relutante. "Deve ser o café da manhã."
"Provavelmente." A voz dele ainda rouca, quente contra minha pele.
Apoiei as mãos em seu peito para sair de seu colo, mas ele me puxou de volta com um sorriso preguiçoso e me deu mais um beijo lento, roubando meu ar e qualquer vestígio de racionalidade.
"Vai me deixar ir ou pretende abrir a porta assim mesmo?" apontei para nossa conexão.
"Estou considerando a segunda opção."
Ri, empurrando seu peito. "Você é louco."
"Estou achando que estou mesmo ficando."
Me levantei, e o roupão jogado de qualquer jeito no chão foi o primeiro alvo. Vesti-o às pressas, tentando ignorar o jeito como ele me olhava, como se eu fosse algo que ele queria saborear de novo. E, sinceramente? Se eu não corresse, provavelmente deixaria.
Enquanto ele se ajeitava, fui até o quarto, tentando recuperar algum tipo de compostura. Encostei a porta e encarei meu reflexo no espelho. Cabelos bagunçados, marcas nos ombros, um brilho nos olhos que não era só de desejo. Era de algo mais profundo… mais perigoso.
Era gostar disso. Gostar dele.
Algo dentro de mim se apertou.
“Regra número um, Lúcia. Nada de se apaixonar.” Repeti em silêncio, como se a voz interna ainda tivesse alguma autoridade sobre meu corpo.
Ou sobre o meu coração.
A batida leve na porta me arrancou do transe.
"Se não vier logo, vou comer tudo sozinho," a voz dele anunciou com um tom divertido.
"Já estou indo!" vesti um short e uma camiseta confortável, nada que deixasse margem pra outra recaída. Pelo menos por enquanto. Sai quase correndo do quarto, e na pressa bati meu dedo mindinho no batente da porta.
"Ah porra!" Arfei de dor, me abaixando para segurar o pé. Em segundos ele apareceu, se abaixando ao meu lado.
"O que foi?"
"Bati o dedinho..." falei tentando segurar as lágrimas que queriam escorrer com a dor que eu estava sentindo.
Nate sorriu para a cena, e se inclinou para olhar, mexendo no meu dedo, enquanto eu me apoiava nele, sentindo os choques que meu corpo produzia.

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