Nathaniel Donovan
O jeito como ela se afastou foi como levar um soco no estômago. Lúcia não queria nem me olhar. E isso… doeu. Mais do que eu estava preparado para admitir.
Eu queria resolver. Agora. Dizer tudo. Pedir desculpas. Me ajoelhar se fosse preciso. Mas o momento não era esse.
Jones pigarreou e se aproximou com o ar grave de quem sabe que precisa assumir o controle.
"Vou convocar uma reunião com o restante da diretoria. Precisamos oficializar que você é o verdadeiro CEO da DRTech. Informar sobre a demissão de Eduardo James e da assistente dele… e dar início às apurações internas. Isso tudo precisa de ordem. Discrição. E ação imediata."
Assenti, mesmo com a cabeça a mil. Meu olhar ainda estava nela.
Enzo cruzou os braços e completou:
"Sobre a conta... já foi aprovado o pedido de bloqueio. Nenhum centavo vai sair dali até que tudo esteja legalmente esclarecido. Fica tranquila, Lúcia."
"Bom... menos mal," ela respondeu, com a voz baixa e cansada. "Porque eu não tenho como arcar com essa dívida, Enzo. Não tenho como devolver nada."
"Nem deveria. Não foi você que fez isso... o CEO pode resolver esse problema."
"Claro que vou resolver. Nunca que eu deixaria isso recair nas costas de um inocente. Além do mais, já sabemos quem são os culpados. Já temos mais provas do que eles imaginam.
Ela não estava só exausta. Estava quebrada por dentro. Por minha causa.
"Bom, vou deixar vocês terminarem de se acertar. Qualquer novo problema é só me chamar." Enzo disse com um meio sorriso, e Lúcia assentiu, cansada.
"Qualquer problema mesmo," ele completou, encarando-a com humor. "Se quiser mover uma ação trabalhista contra o seu chefe, prometo que não cobro nada."
Lancei um olhar indignado para ele, rindo sem vontade. Mas Lúcia nem reagiu.
"Obrigada, Enzo," ela respondeu apenas, seca.
Ele entendeu o recado e não insistiu.
David e Enzo trocaram um olhar silencioso e, sem mais palavras, deixaram a sala, carregando junto a leveza, deixando para trás o silêncio mais incômodo do mundo.
Ficamos apenas nós dois. De novo.
Eu respirei fundo e me aproximei com cautela.
"Lúcia, assim que essa reunião acabar, nós dois vamos precisar conversar. Resolver isso. Do melhor jeito possível. Eu não quero me afastar de você."
"Hoje, eu não consigo, Nate." A voz dela foi firme, mas carregada de exaustão. "Eu só quero ir pra casa. Ficar em silêncio. Foi coisa demais pra um dia só. Confusão demais, mentiras demais, verdades que me atropelaram sem aviso. Eu não tenho forças agora pra lidar com você... nem com tudo o que veio junto."
Tentei levantar o rosto dela com a ponta dos dedos, devagar.
"Eu entendo. Mas não vou desistir de você, Lúcia. Pela primeira vez na vida, encontrei alguém que vale a pena. E não vou abrir mão disso."
Ela finalmente me olhou.
Os olhos verdes, marejados, carregando um peso que me destruiu por dentro.
"Pode até ser, Nathaniel... mas pra mim, você é só mais um mentiroso."
A dor foi física. Como se uma parte de mim tivesse sido arrancada.

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