Lúcia Mendes
As portas do elevador se abriram com um estalo discreto, revelando um andar tão elegante que me deu vontade de dar meia-volta. Mármore polido, painéis de madeira brilhando, um arranjo de flores exóticas que provavelmente custava o meu salário de um mês.
Segurei a caixa com meus pertences com força. Minhas mãos tremiam. Respirei fundo.
"Anda Lúcia, vá descobrir o que fizeram com a sua vida."
Caminhei até a recepcionista. Ela levantou os olhos, um sorriso gentil no rosto.
"Senhorita Mendes?"
Assenti, engolindo em seco.
"Pode entrar. Eles estão esperando."
Eles.
Meu estômago virou.
Empurrei a porta de vidro com o ombro. O tapete absorveu o som dos meus passos, me obrigando a ouvir apenas a batida frenética do meu coração.
A sala parecia infinita. Janelas do chão ao teto exibiam a cidade lá fora, como se fosse um prêmio inalcançável. E no centro, sentado com as pernas cruzadas e um sorriso afiado demais para conforto, estava David Jones.
Ele se levantou.
"Senhorita Mendes." A voz dele era agradável. Controlada. "Bom te ver de novo."
Segurei a caixa com mais força.
"Senhor Jones? O senhor..." minha respiração falou.
"Sim, eu e meu sócio resolvemos comprar a empresa. Por favor, sente-se."
Olhei para as cadeiras com apreensão. Coloquei minha caixa em uma e me sentei na outra.
"Por que estou aqui?" minha voz saiu baixa, mas firme. "Não entendi nada. Eu fui demitida e depois promovida?"
David deu um passo à frente, o terno perfeito se acomodando nos ombros.
"Primeiro, quero pedir desculpas pelo que aconteceu hoje cedo. Foi um erro. Um erro grave."
Engoli em seco, desviando o olhar para o chão.
"Erro?" Minha voz saiu baixa, falha. "Me mandaram embora... na frente de todo mundo. Fizeram eu me sentir... um lixo e nem me explicaram o porquê."
Ele respirou fundo, sem perder o tom calmo.
"Eu entendo como se sente. Não estou aqui para fingir que apago o que aconteceu. Mas estou aqui para te fazer uma proposta."
Levantei os olhos devagar, sentindo a garganta queimar.
"Proposta?" sussurrei. "Por quê? Por que eu, depois de tudo isso? Está tentando comprar meu silêncio pelo que fizeram comigo?"
Ele ergueu uma sobrancelha, o sorriso sumindo.
"Eu não compro ninguém, senhorita Mendes. Contrato quem vale a pena. E você vale."
Minhas mãos se fecharam em meu colo.
"Por quê? Por pena?"
"Não." O tom dele desceu para um grave firme. "Porque eu vi seu trabalho. Porque eu li seus relatórios. Porque ontem mesmo, você apresentou para mim, sem nem saber, uma solução para o maior problema de imagem dessa empresa."
Meus lábios tremeram.

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