Lúcia Mendes
Assim que a chamada terminou, fiquei alguns segundos imóvel, sentindo meu próprio coração martelar contra o peito. O barulho que ouvi no fundo… não parecia nada bom.
Me levantei devagar, na ponta dos pés, tentando identificar de onde tinha vindo. Antes de sair do quarto, abri a gaveta do criado-mudo e peguei a primeira coisa que pudesse servir como defesa, uma tesoura de ponta fina. Não era muito, mas era melhor do que descer de mãos vazias.
Segurei firme, com o coração acelerado, e caminhei até a porta. Cada passo parecia ecoar no silêncio da casa.
"Mãe?" Minha voz saiu baixa, mas carregada de apreensão.
Silêncio.
Desci o primeiro degrau das escadas devagar, como se cada passo fosse me aproximando de algo que eu não queria descobrir.
"Mãe?" chamei de novo, mais alto desta vez.
A sala estava com a televisão ligada, mas o sofá estava vazio. O som do programa ecoava sozinho, criando um clima estranho.
Meu estômago gelou.
Continuei andando, sentindo o frio subir pela espinha. Passei pela mesa de jantar, e então vi.
"Mãe!" o grito escapou antes que eu pudesse controlar.
Ela estava caída no chão da cozinha, o corpo mole, o rosto pálido demais.
Me ajoelhei ao lado dela, segurando seus ombros. "Mamãe, por favor, acorda… mamãe! Me escuta! Não faz isso comigo!" Minhas mãos tremiam enquanto tentava balançá-la de leve, procurando qualquer sinal de reação.
Levei dois dedos ao pescoço dela, procurando o pulso. Estava fraco, mas presente. Meu coração disparou ainda mais. Corri até o armário da cozinha e peguei o kit de emergência que sempre deixávamos à mão, dentro, um tubo de glicose em gel. Abri com pressa, tentando colocar um pouco entre os lábios dela, massageando levemente para que engolisse.
Nada. Nenhuma melhora. O desespero subiu pela minha garganta como fogo.
Olhei para a bancada e vi o celular dela. Com dedos trêmulos, disquei para a emergência.
"Por favor, é minha mãe! Ela desmaiou, tem diabetes tipo 1! Ela está respirando, mas não acorda! Eu… eu não sei o que fazer!"
A atendente manteve a calma, fez perguntas rápidas, e eu tentava responder mesmo com a garganta apertada.
Os minutos até a ambulância chegar pareceram horas. Quando finalmente ouvi a sirene, corri até a porta e os guiei até a cozinha.
Dois paramédicos se ajoelharam ao lado dela, já abrindo equipamentos, medindo glicemia, conferindo pulso. Eu me mantinha por perto, chorando e falando sem parar: "Ela trata, ela segue o plano médico, mas já teve complicações antes… por favor, ajudem ela."
"Vamos levá-la para o hospital agora", disse um dos paramédicos, firme.
A visão da minha mãe sendo colocada na maca me partiu em dois. Peguei minha bolsa às pressas, os documentos dela, e entrei na ambulância.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratando um CEO como Acompanhante