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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 81

Lúcia Mendes

O quarto estava mergulhado num silêncio quase pesado, quebrado apenas pelo bip ritmado das máquinas. Era como se cada som fosse um lembrete cruel de que minha mãe estava ligada a cabos, de que eu não podia fazer nada além de esperar.

Eu não saí dali. Nem para beber água. Nem para esticar as pernas. A poltrona dura ao lado da cama já tinha moldado o meu corpo, mas eu não ligava. Tudo que importava era vê-la respirar, me agarrar àquele movimento suave do peito subindo e descendo.

Puxei o casaco para cima dos ombros, tentando espantar o frio que vinha do ar-condicionado. Me encolhi ainda mais, as pernas dobradas, os braços ao redor do corpo. O celular estava na minha mão, mas eu nem tinha percebido até a tela acender com o reflexo fraco da luz do monitor.

Não sei por que olhei. Não tinha nenhuma notificação nova, nenhuma mensagem. Mas, por algum motivo idiota, eu queria ver o nome dele ali. Nate. Eu queria ouvir a voz dele dizendo que estava tudo bem, que de algum jeito ele ia resolver isso. Talvez fosse uma ilusão infantil, mas… quando ele estava por perto, o mundo não parecia tão esmagador.

Fechei os olhos e tentei descansar, mas a poltrona me obrigava a dormir em ângulos impossíveis. A noite foi longa, um vai e vem de cochilos curtos e sobressaltos a cada vez que a máquina fazia um som diferente.

Quando o sol começou a invadir o quarto pelas frestas da cortina, senti uma pressão leve no meu braço. Abri os olhos de imediato e a vi olhando para mim.

"Lúcia…" a voz dela estava rouca, fraca, como se tivesse atravessado uma maratona. "O que aconteceu?"

Me inclinei para segurar a mão dela. Estava fria, mas firme.

"Agora você está bem, mãe. Foi só um susto. Vai ficar tudo certo."

Ela piscou algumas vezes, os olhos vagando pelo teto antes de voltar para mim.

"Eu… estou fazendo tudo certo, filha. Tomando os remédios, seguindo a dieta… não sei por que isso acontece…"

O aperto no meu peito aumentou. Eu conhecia minha mãe. Sabia reconhecer quando ela estava tentando esconder algo… mas, dessa vez, era diferente. Não era só fragilidade. Era confusão.

"Shh… não se preocupa com isso agora." Tentei sorrir, mas minha voz vacilou. "Eu vou chamar o médico, tá? Você só precisa descansar."

Ela assentiu levemente, mas continuou me olhando como se quisesse fazer mais perguntas. Eu me forcei a soltar a mão dela e caminhei até a porta.

O corredor cheirava a desinfectante. Pessoas passavam apressadas, médicos e enfermeiros com passos firmes e olhares concentrados. Eu parei na primeira bancada e encontrei uma enfermeira revisando uma prancheta.

"Com licença, você pode chamar o médico da minha mãe? Ela está… confusa."

Ela assentiu e saiu rapidamente. Fiquei ali, com as mãos frias e o coração batendo rápido. Poucos minutos depois, ela voltou com o médico. Voltamos juntos para o quarto, e eu me apressei em explicar tudo que tinha acabado de acontecer.

Ele se aproximou da cama, examinou minha mãe, fez algumas perguntas simples. Ela respondeu, mas havia pausas longas, hesitações que me deixaram ainda mais aflita. Logo, ele pediu novos exames e orientou a equipe a trazer os equipamentos.

Eu fiquei encostada na parede, sentindo que estava observando tudo de fora, como se fosse uma espectadora da minha própria vida. Minha mãe sendo movimentada com cuidado, o barulho das máquinas, as anotações rápidas no prontuário. Eu queria fazer algo. Qualquer coisa. Mas não havia nada a fazer.

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