Nate Donovan
A mensagem do Enzo ficou queimando na minha mão. Respirei fundo e digitei apenas uma pergunta: Qual o valor?
A resposta veio em segundos.
Dois milhões e quinhentos mil dólares. Hoje cedo.
Por um momento, não foi só o sangue que gelou, acho que meu coração parou também. O número piscava na tela como se gritasse.
Dois milhões. Sem origem clara.
As vozes de David e Enzo ecoaram na minha cabeça, cada suspeita, cada hipótese. E, ainda assim, o rosto dela no chão do corredor não combinava com nada disso.
Fechei a mão em volta do celular, respirei pelo nariz e caminhei até a porta do quarto. Ia chamá-la. Ia perguntar na lata o que significava aquela movimentação.
Mas, quando abri a porta, o ar me escapou.
Ela estava sentada na beirada da cama, de costas pra mim. Segurava a mão da mãe, falando baixo, com um sorriso triste nos lábios. O olhar dela era de pura devoção, a expressão de quem não mediria esforços pra proteger aquela mulher.
E, ali, o conflito me atingiu.
Como é que alguém assim… poderia ser uma golpista?
Fechei a porta devagar e dei dois passos pra trás. Foi aí que trombei com alguém.
"Desculpe", falei automaticamente.
O médico sorriu de leve. "Sem problemas."
Aproveitei. "Doutor… qual é a gravidade do caso da mãe dela? De verdade?"
Ele me olhou por um segundo, como quem escolhe as palavras. "Mais do que imaginamos. A senhorita Mendes vai precisar ser muito forte."
"Ela me disse que o senhor deu semanas, é isso mesmo?" ele concordou.
"Mesmo com o tratamento certo, o corpo da senhora Mendes pode não suportar." O encarei sem saber o que dizer. Como é possível continuar respirando quando se sabe que alguém que você ama, está prestes a te deixar.
Ele deu dois t***s no meu ombro e seguiu pelo corredor, me deixando com a confusão se espalhando pelo corpo.
Voltei pra porta e bati de leve com as costas dos dedos. Ela me viu, se levantou e veio na minha direção.
"Oi..." ela olhou para dentro. "Ela conseguiu dormir um pouco. Está agitada com tudo isso." concordei.

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