Enviei meus homens para todos os aeroportos da cidade, e verificaram cada lista de embarque. Eu tinha poder e contatos suficientes para fazer isso, e não poupariam esforços para encontrá-la.
Até que recebi sinal positivo de um dos aeroportos e fui direto para lá.
Entrei no avião, e todos os passageiros, que antes estavam agitados e reclamando da demora, se calaram, e um a um retomaram seus assentos. Eu já estava acostumado com aquele tipo de reação.
Minha empresa comandava metade dos negócios da cidade, e certamente muitos ali, direta ou indiretamente, trabalhavam para mim.
Caminhei pelo corredor estreito da classe econômica e então a vi.
Sentada próxima à janela, mal disfarçada com um lenço e óculos escuros.
Aproximei-me e olhei para o homem sentado ao lado dela.
— Saia — falei em tom de ordem, e ele rapidamente obedeceu.
Ela continuou olhando pela janela, fingindo que eu não estava ali, e aquilo me irritou profundamente.
— Vamos — minha voz saiu falha, pois eu já começava a perder o controle e a paciência.
Ela não se moveu.
Segurei seu braço e a puxei com força para perto de mim.
— O que pensa que está fazendo? Me solte! — ela gritou, e seus olhos revelaram-se vermelhos e chorosos de raiva. Ela estava com raiva de mim? Eu é que deveria estar irritado com ela.
Suspirei, apertando o braço dela ainda mais, tentando me acalmar.
— Vamos logo —
Tentei me virar para levá-la, mas sua voz saiu como um golpe no meu peito.
— Eu disse não! Eu não vou com você a lugar nenhum! —
Ela respondeu firme, sustentando meu olhar.
Eu já estava perdendo a paciência.
— Vivianne. Não teste minha paciência, venha logo e vamos conversar lá embaixo —
— Está vendo? É por isso que eu quero ir embora. Você só sabe dar ordens, tudo tem de ser do seu jeito ou nada. Eu passei a minha vida inteira seguindo as ordens dos meus pais. Eu amo você, mas não quero passar o resto da minha vida obedecendo às suas ordens. Então me deixe ir, me deixe viver a minha vida, Dante! —
Minha mão se fechou ao redor do braço dela.
— Vivianne... — o sussurro do nome dela saiu como um rosnado em meus lábios. — Aqui não é lugar para falar sobre isso. Vamos sair e conversar direito —
— Eu já disse que não vou com você a lugar nenhum! — ela insistiu. — Se você me ama, respeite minha decisão. Pois, se me levar daqui à força, apenas vai ganhar o meu ódio! —
Aquelas palavras, o olhar frio dela, tudo apenas fazia mais rachaduras dentro de mim.
— Como... como pode pensar em me deixar assim? O meu amor não é suficiente para você? Eu posso pagar a melhor universidade do país para você, mandar criarem o curso que você desejar, fundar uma empresa só sua, com o seu nome. Então fique, eu vou dar tudo que você quer e precisa aqui, ao meu lado.—
Ela soltou uma risada seca. — Está vendo? Mesmo querendo me agradar, você pensa em me controlar. Eu não quero que você compre uma universidade para mim, eu quero com seguir entrar numa universidade por mim, estudar, me formar, criar minha própria carreira, com os meus méritos e esforços! Não por ser a esposa de Dante Franconi. Eu não quero ficar aqui e ser seu canário dourado, sem vida própria, vivendo na sua sombra, Eu quero viver e construir minha própria vida! então me deixe ir, por favor —
Um grande nó se formou em minha garganta, impossível de engolir.
— Você... você realmente está me deixando? — aquela pergunta rasgou minha garganta e queimou minha língua.
Vivianne desviou o olhar. E aquele gesto foi o suficiente para quebrar tudo que sobrava dentro de mim.
— Só... me deixe ir, Dante. Antes eu fiquei por você, mas agora eu preciso ir, por mim —
Como se todas as forças tivessem sido drenadas do meu corpo, soltei seu braço, como se soltasse a última esperança de ficarmos juntos.


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