POV Evelyn
Adelina alargou ainda mais seu sorriso perverso, olhando para o copo de álcool, e depois para mim.
—Vamos, Evelyn, eu estou sendo gentil aqui, vai saber quando mais você terá a oportunidade de beber um licor caro desses — disse ela, fingindo generosidade.
Suspirei, tentando não perder a calma.
—Eu não quero — respondi firme.
O rosto dela fechou e se virou para Vítor, forçando uma voz fina e irritante.
—Amor! Eu estou sendo gentil e ela está me desprezando! — Adelina choramingou, agarrando-se ao braço de Vítor. — Ela... Ela ainda se acha superior a mim só porque foi adotada por pais ricos. Você... você também acha isso? Acha que ela é superior a mim?
Vítor se voltou para ela e segurou seu queixo com delicadeza — a mesma de dias atrás, quando a usava comigo.
—Não seja boba, ela nunca foi e nunca será superior a você em nenhum quesito. E você sabe disso, sabe que é superior a ela em qualquer aspecto.
Adelina voltou a sorrir largamente.
—Então... faça ela beber tudo.
Vítor me encarou e inclinou-se para frente, soltando a voz em tom de ordem.
—Beba!
Cerrei os punhos tomada pela raiva e mágoa. Ele sabia que eu era alérgica a nozes e que aquilo podia me matar. Mesmo assim, uma dor me atravessou o peito, porque, diferente dele, eu realmente o amava, e perceber que o ódio dele por mim era tão grande ao ponto de querer me ver morta, me quebrava ainda mais.
—Não! — voltei a negar, sustentando o olhar com firmeza.
Vítor franziu o cenho, enfiou a mão no bolso e retirou o cartão, jogando-o ao lado do copo.
—Você está sendo paga para nos servir e obedecer, então, beba! — ordenou novamente.
April sorriu e colocou outra nota de cem por cima do cartão, como se fosse uma esmola.
—Vamos, Evelyn, estamos ajudando você, mas também precisa se esforçar. Beba! — ela também sabia da minha alergia, mas parecia querer me ver arruinada.
Um garoto se levantou e colocou duas notas; outros seguiram, acumulando mais dinheiro ao lado do copo. Eles realmente queriam me ver morta.
—Com isso, já dá para fazer um funeral de reis para os seus pais, não é mesmo? — comentou Adelina.
—Beba logo! — acrescentou April, impaciente.
—Pare de ser tão orgulhosa, é só um licorzinho! — uma voz surgiu ao fundo.
—Ande logo, não temos a noite toda!
As vozes de pressão tomaram conta da sala.
Olhei para o copo cheio, depois para as notas e o cartão. Aquilo era mais do que eu ganharia trabalhando a noite inteira para aquelas pessoas, e realmente era dinheiro suficiente que eu precisava. E com esses pensamentos, comecei a cogitar, enquanto fitava o copo.
Eu só precisava beber, pegar o dinheiro e sair dali; talvez a quantidade de avelãs não fosse tão alta, talvez os efeitos não fossem tão graves.

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