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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 286

Aelyn

Eu estava no meio de anotar os horários da semana quando a porta do meu quarto se abriu sem bater.

Não precisei olhar para saber quem era.

Apenas duas pessoas no mundo inteiro entravam no meu quarto sem bater, e as duas tinham acabado de aparecer ao mesmo tempo, o que significava que alguma coisa estava sendo tramado.

"Não", eu disse, sem tirar os olhos do caderno.

"A gente não disse nada ainda", a Serena respondeu, jogando a bolsa na minha cama com aquela desenvoltura de irmã mais nova que ainda me irritava depois de todos esses anos.

"Não precisou." Terminei de anotar o horário das clientes de sexta e fechei o caderno. "Quando vocês duas chegam juntas com essa cara, é sempre alguma coisa. Eu já disse que vou com vocês ao cinema, o que mais vocês querem."

A Sophia se sentou na cadeira da penteadeira com aquela calma dela que era mais perigosa do que a energia da Serena.

"Eu chamei o meu irmão, mas ele ainda não deu certeza", Sophia disse, jogando de leve. "Mas eu acho que ele vai."

Eu olhei por cima do ombro.

"Em uma quarta-feira? Não acho que ele vai largar o trabalho para isso."

"Há mas eu dei um bom motivo para ele ir", Sophia disse. E então sorriu daquele jeito. "Eu disse que você ia nos apresentar seu namorado."

O caderno escorregou da minha mão e bateu no chão com força.

Eu me virei na cadeira de uma vez.

"O quê?" Olhei para ela. "Você falou o quê, Sophia?"

Ela deu de ombros com aquela calma absurda.

"Você sabe como meu irmão é. Ele precisa de alguma coisa que chame a atenção dele pra sair do automático." Cruzou as pernas. "E eu tenho certeza que isso vai chamar."

" VOCÊ É LOUCA? AONDE EU VOU ACHAR UM NAMORADO?"

A Serena deu uma risada que tentou esconder na manga do moletom e não conseguiu.

A Sophia continuou com a mesma expressão de quem está completamente em paz com as consequências das próprias decisões.

"Se vira", ela disse. "Minha parte eu já fiz."

Eu me levantei, fui até a cama, e me joguei de costas com aquele peso de quem está carregando uma quantidade injusta de situação.

"Vocês querem mesmo ver ele me dispensar de novo", eu disse para o teto. "Não é possível. Você é minha prima, poxa. Eu pensei que vocês me amavam."

"A gente ama você", a Serena disse, sentando ao meu lado. "É por isso que estamos fazendo isso. O Felipe tem que ver que se não te der atenção você não vai mais ficar esperando. Você merece o mundo irmã."

"Isso não faz sentido."

"Faz sim."

"Serena." Virei o rosto para ela. "Ele já deixou claro. Mais de uma vez. Não existe futuro pra gente. Ele nem liga pra isso, pra quem eu namoro, pra o que eu faço na minha vida amorosa. Ele trata isso como se fosse o assunto mais irrelevante do mundo."

"Ele ficou esquisito quando eu falei", a Sophia disse olhando para as unhas, como se aquilo fosse apenas um comentário inocente.

Me sentei na cama na mesma hora.

"O quê?"

"Quando eu falei sobre o namorado." Ela me encarou com aquela atenção da Laís que às vezes me deixava levemente desconfortável. "A expressão dele mudou."

O silêncio durou alguns segundos.

"Esquisito como?", eu perguntei, e a voz saiu mais baixa do que eu pretendia.

"Só isso", eu repeti, no mesmo tom de quem está repetindo só um pulo no abismo.

"Se ele não reagir, você tem sua resposta de vez e segue em frente." Ela me olhou direto. "E se reagir..."

Eu fechei os olhos por um segundo.

A Serena estava quieta ao meu lado, o que, vindo dela, significava que ela concordava com tudo, mas havia decidido que o momento pedia silêncio.

Abri os olhos.

Olhei para o teto.

Pensei em todas as razões pelas quais aquilo era uma péssima ideia.

A lista era longa.

E então peguei o celular.

Achei o contato, e liguei. Quando atendeu na segunda chamada, eu nem dei tempo de cumprimento.

"Luciano", eu disse. "Quer ser meu namorado de mentira hoje à noite?"

A Serena explodiu em risada.

A Sophia cobriu a boca com a mão.

Do outro lado da linha, Luciano ficou em silêncio por exatamente dois segundos.

E então disse, com aquela voz dele de modelo que nunca combinou com o senso de humor que ele tinha:

"Finalmente."

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