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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 158

Faz sentido, a Família Rocha preza pelas aparências.

Abel não ousaria mencionar o ocorrido da noite passada na frente de Dona Cláudia, afinal, o temperamento dela não era dos melhores.

— Estou na casa da Sra. Novais, ocupada com a limpeza, não atendi as ligações dele.

— Eu o expulsei e avisei ao porteiro para não deixar o carro dele entrar mais. Mas vi que ele estava muito ansioso para te encontrar, aconteceu alguma coisa?

— Não sei, ele tem estado meio descontrolado ultimamente. — De qualquer forma, não parecia o mesmo Abel com quem convivera por quatro anos.

— Deixa para lá, não ligue para ele. — Dona Cláudia demonstrou preocupação. — Trabalhou até agora sem comer, né? Pedi para o Sr. Vieira encomendar comida para você.

— Obrigada, Dona Cláudia. — Inês sorriu com gratidão.

Assim que desligou, a campainha tocou.

— Tão rápido. — Inês desceu de chinelos e abriu a porta. Quem estava parado ali era, surpreendentemente, Rodrigo.

Já tinha trocado de roupa, mas continuava impecável de terno, com a gravata perfeitamente alinhada.

Mantinha a postura ereta, uma mão no bolso, olhando para ela com aquele olhar ligeiramente baixo, profundo e cheio de uma autoridade natural.

— Diretor Simões, o senhor está indo para alguma conferência importante?

Rodrigo a encarou.

— Diretor Simões, eu não posso fazer hora extra hoje à noite.

Rodrigo: ...

— Ninguém pediu para você fazer hora extra. — Rodrigo entrou, olhando ao redor. A mobília estava completa, mas o ambiente ainda parecia vazio.

O homem franziu a testa:

— Quem mandou você se mudar para cá?

— A professora. — Inês deixou a porta aberta e parou a uma certa distância de Rodrigo. — O Diretor Simões veio aqui para passar alguma tarefa?

— Não vi você realmente interessada em trabalho. — Senão não teria pedido demissão.

Inês apertou os lábios e ficou em silêncio.

— Você é muda? — Rodrigo só tinha ouvido a família xingá-lo assim; nunca imaginou que um dia usaria essa frase com outra pessoa.

Inês: — Não.

— Vai morar aqui por quanto tempo?

As mensagens continuavam chegando.

[Você pode atender o telefone? Responder a mensagem?]

[Eu sei que você não está dormindo.]

[Estou muito preocupado com você.]

[Inês, se você não responder, vou ficar aqui na Mansão Oliveira esperando...]

A mensagem era longa e foi cortada, mas como Abel mencionou a Mansão Oliveira, Inês, que estava servindo a água, preocupou-se e esticou uma mão para tocar na mensagem.

Antes que pudesse clicar, a chaleira inclinou e a água fervente derramou sobre o peito do seu pé.

— Ah! — Inês soltou um grito breve e abafado.

— O que foi? — Rodrigo ouviu e largou o celular imediatamente, caminhando em direção à cozinha.

A tela do seu celular permaneceu aberta no bloco de notas.

[Vista-se bem para vê-la; ela achou que eu a chamei para fazer hora extra, que ingrata]

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